quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Linhas no escuro

Eu não tenho um sonho
Eu não tenho uma meta
Eu só tenho passos firmes
Rumo a lugar nenhum

Eu não tenho casa
Eu não tenho carro
Eu só tenho alguns trocados
O que nesse mundo já me fazem rico

Eu não tenho felicidade
Eu não tenho tristeza
Eu só tenho esse sorriso moribundo
E essas lágrimas secas

Eu não me tenho
Eu não te tenho
Eu só tenho uma saudade que te leva,
E que sempre volta a mim sem você

Eu não tenho cansaço
Eu não tenho suor
Eu só tenho essas cicatrizes
Agora todos sabem por onde andei

Eu não tenho platéia
Eu não tenho aplausos
Eu só tenho alguns fracassos
E uns sucessos só meus

Eu não tenho deuses
Não tenho religião
E por isso meu coração
Bate vazio e sem porquê

Eu não tenho fé nas pessoas
Não tenho nada e nem espero
Pois todos perguntam o que eu tenho
Mas nunca saberão o que eu quero.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sem canção, sem bordão, sem paixão

Fazendo agitação mas morrendo de medo
Adoro quando você caminha mais rápido que eu
E eu tenho seu gingado a meu dispor
A segurança dos seus passos me assusta
Eu provo a minha insegurança e gosto
Quebrando o cheiro azedo da minha soberba

E mesmo me escondendo por trás
Da cortina poluída do meu orgulho e
Da fumaça densa do meu cigarro
Eu tenho que admitir que seu jardim floresça mais rápido que o meu
Mas o que realmente me envergonha é que
Você não está no céu por isso
E nem me olha por cima

Eu estou contemplativo hoje
Em busca de uma inspiração que seja
Ouvindo a solidão do som da minha respiração
E quanto mais tento fugir do clichê e da perfeição
Mais me aproximo deles

O que um tem haver com o outro é que
O clichê é perfeito aos ouvidos
Agrada a todos de certo modo
É ideal, é perfeição.

O que o outro tem haver com o um?
Não há nada mais clichê que tentar ser perfeito
E mais, não há nada mais clichê que dizer
Que a perfeição não existe
Ela existe sim, só não está em você...
Nem em mim.

Exceto os relâmpagos e as nuvens carregadas de ódio e... água
O dia sim é perfeito, perfeito pra competir com seus beijos
E provar que eu sou mais idiota que você
O que há de poético em se foder?
É isso o que eu quero saber
Cigarros e álcool já não fazem o mesmo efeito
Então vamos tentar de novo
Sem canção, sem bordão, sem paixão

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Náufrago

Escreva sobre a vida
Fale comigo sobre ela.
Me explique sua arte de deslizar por aí,
E nunca dar o melhor de si,
E nunca se importar com o próximo passo.

Desenhe imagens sobre o amor
E faça-me senti-lo.
Não quero mais ouvir seus passos frios
Depois de me tocar sutilmente,
E meu coração se aquecer instantaneamente

Enquanto você dormia e sonhava
Que dançava sem música,
Me fazia imaginar o que quisesse.
Ouvindo apenas o som dos meus passos,
E tendo medo que o som cansado da minha respiração
Quebrasse seu sono.

Eu não queria acordar e ver
Seu olhar delator sobre mim,
Acusando os erros que cometi
Enquanto naufragávamos no nosso mar de suor
E volúpia.

Agora que estou livre do que você é
Por favor, me diga:
Por quanto tempo eu naveguei no seu mar de mentiras?

sábado, 2 de outubro de 2010

Florescendo

Outubro,
Folhas e flores novamente
A vida se abre
Em milhões de cores, formas
E oportunidades.

O choque do raio enfraquece
O veneno frio se dissipa
Mas nunca acaba...
A primavera está contaminada
E nós estamos vulneráveis ao amor...

Pena que seja só outubro, novembro, dezembro...
Pena que a primavera seja só uma estação
E que a vida como um trem circular
Apenas passe por ela
Passe mais devagar, mais sublime, mais bonita,
Mas apenas passe.

Esse é o tempo
Eu estou pronto
Desenterre sua alma
E deixe-a voar comigo
O céu brilhante da primavera
Será eterno essa noite

Para o amanhã incerto
Apenas guarde uma estrela e uma canção
Agüente firme quando o frio chegar
Talvez meu mundo caia antes de você acordar
E você não me verá ao seu lado pela manhã
Não tente regar com suas lágrimas
As flores que caírem secas no chão.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Contemplativo

Minhas unhas sujas ferem as cordas
Que ainda não foram arrebentadas
Enquanto meus olhos vazios e deslumbrados
Fitam o horizonte
À procura de um futuro para nós
Em algum lugar
Onde meu coração cansado repouse.

É difícil acreditar
Que alguma coisa vai mudar
Se nada mudou dentro de nós
Se a certeza é de que o sonho
Já não é tão certo,
Com a certeza de que não
Sonharei esta noite,
Mas o azul ainda é
Complicado e delicado.

Sinta-se em paz
Sinta-se em casa
Faça você mesmo sua trégua
Viva os momentos longe da sua guerra
Carregue consigo o amor
Que eu deixei para trás
Tenha a vontade que me falta
Sinta o medo que eu sempre ignorei
Tenha sempre o que perder
Isso é um sinal de vida
Seja jovem a vida inteira
Não jogue sem tempo fora.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Viajando...

No balanço do trem buscamos equilíbrio
No balanço da vida destruir o vício
De balançar sem sair do lugar
De deslizar para lá e para cá.
Todos à procura de conforto
Alguns a procura de algo novo
Enquanto queremos viver para sempre
Enquanto o sempre enferruja com o tempo

Alguns esperam o retorno de um deus
Outros retornam a ele
Todos procuram se salvar
Do inferno que está em seus corações
Da maldade que completa nossas almas
Pois sem maldade não somos humanos

Somos competidores por essência
Somos hipócritas pela competição
Somos cristãos por hipocrisia
Somos cegos por religião
Eu não acredito na humanidade
Não acredito no que ela acredita
Mas acredito nos nossos
Puros sentimentos infantis
E na fé cega mas sincera
De que tudo vai ficar no lugar.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Wonderwall

Alma vazia, cabeça cheia,
Vista escura presa na teia,
Meus questionamentos,
Minha blasfêmia que incendeia
Minha mente que não tem
Mais nada para queimar
E é em tempos como esse
Que agente colhe
Os frutos das sementes
Que agente escolhe
Que agente alimenta
E ensina a andar,
De gente que agente
Aprende a amar.

E se tudo o que eu conheço
Desabasse esta noite?
Derretesse e se danificasse
Pelo calor do ódio
Tudo o que eu teria era sua paz
E seus olhos certos da vitória
A qual eu confio e
Persevero só por estar com você.

Em qualquer lugar é nossa casa
O inferno está lá fora
E agora somos só nós dois
Acreditando no amor
Enquanto vemos o mundo arder pela janela.

domingo, 12 de setembro de 2010

A falta

Você me faz pirar
Eu não posso mentir
E é tão incrível como eu te quero de longe
Você fez falta,
Você faz falta,
E eu pensando em te esquecer insistentemente e
Soletrando incessantemente
I-N-E-S-Q-U-E-C-Í-V-E-L.

Cada letra, cada caractere
Iniciam palavras e momentos que me lembram você
E eu viajo no tempo
Nesse acróstico imperfeito
E implacável
O peito aperta, a saudade é certa
E a vontade de ouvir sua voz
Me faz perder a razão

Telefonemas, mensagens eletrônicas
Não tenho assunto, apenas pelo som da sua respiração
e os eternos instantes
Entre a sua primeira palavra e a minha primeira palavra
A seção de arrepios que sua voz me traz
Eu não estava em paz quando você chegou
Mas foi você quem me trouxe o caos
E me pôs em chamas novamente.

Eu tinha você de perto
Hoje tenho saudades
Mas você nunca foi minha
E não foi eu quem deixou você ir
Meu coração sempre quis você nele e
Você sempre foi livre
Eu que me prendi a você,
Eu que tatuei você em mim.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Amanda, Pequena amada armada

Eu que sempre amei você
Mas nunca fui correspondido
Eu que sempre fui seu herói
Hoje sou seu inimigo

Mas eu vou ignorar isto tudo
Pois você não pode estar certa
Você me verá quando seu coração
Não estiver mais cheio de toda essa merda

Eu sempre usei você
Quando quis me sentir mal
E eu que sempre quis sentir você
Em seu golpe fatal

Mas agora eu ignoro você
E seu pensamento imundo
E você sentirá minha falta quando seu coração
For dilacerado pelo seu mundo

E eu que sempre fui tão fraco
Perto da sua nobreza e pena
Hoje sou o céu
E você é tão pequena

Nem tudo o que você vê é real
Nem tudo que você diz faz sentido
Seu sorriso foi tão curto que nem pude ver
Seus dentes caírem com você

Fuja de mim
Mas não se fuja de você
Se esconda de Deus atrás desse véu
Mas não se esconda do céu

Estar morto é assim
Não tenha medo se eu ficar escuro
É só a noite em mim.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Trocando uma ideia" com Deus (parte II)

Eu sujei meu corpo
Mas não perdi minha alma
Eu cavei minha própria cova
Mas não tive coragem de morrer
Eu furei meus olhos
Para não ver o fruto desse ódio
Mas ainda posso ver a verdade,
E quanto ao ódio
Eu ainda posso senti-lo
Nos meus versos, nas minhas veias

Deus, eu sou o bastardo
Que reivindica o seu amor
Eu não quero seu perdão
Sua misericórdia
Sua maravilhosa pena dos seres pequenos
Eu quero apenas seu amor,
Eu não quero seu paraíso
Não quero sua vida eterna

Parece que todos os caminhos
Levam-me a lugar nenhum
As balas continuam a falar mais alto
E o nosso Santo Ódio continua a governar
Enquanto Deus não me diz nada
E não interfere na minha carnificina

Andando sozinho pelas ruas da cidade
Madrugada fria, suja, seca, subtendida
Luzes solitárias, pessoas de almas mortas
Que Deus há aqui?

Sim, eu estou louco
Mas não estou errado
O assassino não sou eu
É você

Eu condenarei Deus no juízo final.