há águas turvas,
é lá que busco a inspiração.
no fundo dos meus olhos
refletidos nesse espelho
de água e tinta,
vejo o mundo em fundo preto,
inebriado e em desespero
quero resgatar meu coração
deste lago de existência
aparentemente inexplicável,
por isso ponho fogo
no papel e na caneta,
na aquarela e no pincel,
e as cinzas que me sobram
brilham como prata e poesia,
e a fumaça que enturvece
minhas paredes é metafísica.
não tem luz artificial pra iluminar
o semblante hediondo
da minh'alma indecorosa.
eu sou feio porque sou
e isso é belo.
eu sou belo, e sei
porque minha pele,
e meus lábios grossos,
e minhas palavras duras,
e meus olhos de aquarela
me constroem.
Agradecimento a Carol Nascimento pela ilustração e inspiração.
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