eu te amo, mas não me amo.
não me amo para te amar
mais que te amo,
e suscitar em ti
as bonitas coisas do amor.
eu te amo sim,
mas não posso me amar.
sou infiel, ausente,
displicente,
forjo fracassos
por diversão.
estou decadente,
a tristeza cortou
minhas asas,
me impediu de voar,
mas fez do meu canto
o melhor para você,
meu amor.
sei que logo estarei velho
nas mesas de jogos de azar,
com cigarros me matando
entre os dedos,
sozinho, rusguento
e moribundo.
e só me restará
a certeza de que te amei,
e sofri, e sorri, e chorei,
e fui o pior dos teus
melhores amigos,
e te fiz provar
das piores bebidas,
e do gosto amargo
da solidão.
mas no dia em que você voar
deixe uma pena em meu ninho,
para que tu vivas para sempre
no meu coração.
segunda-feira, 11 de julho de 2016
sábado, 9 de julho de 2016
O amor é um cão dos diabos
é como se não pudesse
e se pudesse não tentasse,
mas pra todas depois de ti
meu coração encrudesce,
e é como se nosso caminho
eu outra vez palmilhasse,
e ao examinar onde nos perdemos
me perdesse outra vez nas respostas,
atravessadas, mal dadas e sujas,
nas minhas mentiras, nas suas,
nas nossas piores apostas.
agora o mundo se abre
e se mostra pra mim como um sonho,
o simulacro mudo de um riso
ecoando por acres e acres
ao lembrar teu rosto risonho.
a duras penas me recomponho
e me ponho a fitar o inverno,
usarei de todo artifício
pra demolir em mim o edifício
erguido pela fábula do amor eterno.
se entre outras pernas te mato
na solidão eu não te renego,
te invoco em conhaques e cigarros
e aquele velho roto eu não nego,
teu folheto avisou mas sou cego,
é mesmo o amor um cão dos diabos.
e se pudesse não tentasse,
mas pra todas depois de ti
meu coração encrudesce,
e é como se nosso caminho
eu outra vez palmilhasse,
e ao examinar onde nos perdemos
me perdesse outra vez nas respostas,
atravessadas, mal dadas e sujas,
nas minhas mentiras, nas suas,
nas nossas piores apostas.
agora o mundo se abre
e se mostra pra mim como um sonho,
o simulacro mudo de um riso
ecoando por acres e acres
ao lembrar teu rosto risonho.
a duras penas me recomponho
e me ponho a fitar o inverno,
usarei de todo artifício
pra demolir em mim o edifício
erguido pela fábula do amor eterno.
se entre outras pernas te mato
na solidão eu não te renego,
te invoco em conhaques e cigarros
e aquele velho roto eu não nego,
teu folheto avisou mas sou cego,
é mesmo o amor um cão dos diabos.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Baía de Guanabara
Ao meio-dia as máquinas de demolição
despejam sua fúria nas paredes,
mas a favela é mais que tijolos e resiste,
o braço rebelde arremessa pau e pedra
mas a máquina do mundo esmaga o povo.
o impacto que estremece o chão
se propaga no vácuo das coisas
que de repente deixaram de existir,
pessoas pulam fezes e desabrigados
no vai e vem sem sentido do mundo.
na franqueza dos muros poetas gritam
e no tráfego lento do rio de aço
da linha vermelha os olhos fitam,
mas não podem ouvir a juventude que berra.
parece que o mundo está em silencio.
no horizonte guindastes dançantes decretam
erguimentos que se opõem às águas da baía
matando novamente os cadáveres que boiam
no melancólico esquecimento à sombra da cidade,
contradições da capital sórdida e aprazível.
mendigos disputam pessoas e os restos do McDonalds,
vira-latas disputam mendigos e sua bondade irrisória,
enquanto estrangeiros disputam o futuro do nosso país,
todos se misturam na bucólica Praça Mauá que mata poetas.
e quanto mais compreendem o mundo, mais morrem.
não conseguem mais escrever versos suaves,
já não sabem rimar o mar com sua gente
pois o mar que se tem é a Baía de Guanabara
onde os cadáveres e barcos a vela disputam
as medalhas de ouro de Olímpia.
na outra margem a Maré então resiste
a revelia do brasisleiro médio, sujeito inventado
para ignorar o impacto dos braços de aço
na vida da gente, e ignorar os berros dos muros
sufocados pelas buzinas na lentidão da Linha Vermelha.
despejam sua fúria nas paredes,
mas a favela é mais que tijolos e resiste,
o braço rebelde arremessa pau e pedra
mas a máquina do mundo esmaga o povo.
o impacto que estremece o chão
se propaga no vácuo das coisas
que de repente deixaram de existir,
pessoas pulam fezes e desabrigados
no vai e vem sem sentido do mundo.
na franqueza dos muros poetas gritam
e no tráfego lento do rio de aço
da linha vermelha os olhos fitam,
mas não podem ouvir a juventude que berra.
parece que o mundo está em silencio.
no horizonte guindastes dançantes decretam
erguimentos que se opõem às águas da baía
matando novamente os cadáveres que boiam
no melancólico esquecimento à sombra da cidade,
contradições da capital sórdida e aprazível.
mendigos disputam pessoas e os restos do McDonalds,
vira-latas disputam mendigos e sua bondade irrisória,
enquanto estrangeiros disputam o futuro do nosso país,
todos se misturam na bucólica Praça Mauá que mata poetas.
e quanto mais compreendem o mundo, mais morrem.
não conseguem mais escrever versos suaves,
já não sabem rimar o mar com sua gente
pois o mar que se tem é a Baía de Guanabara
onde os cadáveres e barcos a vela disputam
as medalhas de ouro de Olímpia.
na outra margem a Maré então resiste
a revelia do brasisleiro médio, sujeito inventado
para ignorar o impacto dos braços de aço
na vida da gente, e ignorar os berros dos muros
sufocados pelas buzinas na lentidão da Linha Vermelha.
sábado, 25 de junho de 2016
Alicerce
Vinha como quem desce o Cruzeiro
pensativo porém de aparência confiante,
medo não sentia da noite porque
a treva tranquila do outono e
o vento álgido que despe
a lua das nuvens que veste
são hediondos mas não letais.
sobre questão me debruçaria
se não tivesse de andar,
mas se questão não é importante
a esta hora, quê mais será?
nos ladrilhos deitar-me-ei,
porquê não?
e me deleitarei do meu reinado
na ladeira de pedra,
já que os carros
não sobem o Cruzeiro
as três da manhã.
e daqui revelarei os mistérios
pra além dos pomposos
prédios de mármore
das rua do centro dessa cidade,
que cresce pra cima
levando os de cima,
enquanto concreta
os de baixo na liga
do alicerce.
me agarrarei numa
realidade não palpável,
na real, uma patética tentativa
de metafísica
do proletário bêbado
que vos fala a esta hora,
que não quer mais ser alicerce
de filho-da-puta nenhum,
por quê das flores que nascerão
no meu engenho,
não terei tempo de colher nenhuma,
e das vinícolas todas
de pau maciço
não tocarei num barril.
mas saibas que,
destas begônias inteiras que desabrocham,
dos hibiscos e até dos girassóis,
que não coexistiriam se fosse
por conta de gente que não sabe de jardinagem,
de todas essas flores
tenho ciência e poder,
e tenho também coletiva
consciência de colheita,
pra que todos tenhamos lírios
na janela da cozinha
das nossas mães
e rosas nos cabelos crespos de nossas mulheres.
por que eu governo tudo o que vejo
do auto da ladeira ladrilhada do Cruzeiro.
ladrilhada por mim mesmo,
de passagem devo dizer.
e não é só um florilégio de palavras
que você nunca viu
que me garantem este reino vil,
cheio de alicerces e espigões,
cheio de martelos e pregos,
cheio de ratos e gaviões.
é o próprio e verídico
causo que conto,
eu com minhas próprias mãos
construí esta cidade média
que demanda ser grande.
se não acredita,
olha em volta o que é feito de pedra
e aço, areia, cerâmica e cimento.
tudo está junto e em pé no esquadro correto
e iluminado pela mão do operário civil,
obra de todos os Severinos e Josés,
de todas as Marias, que trocam
flores por rugas,
e denunciam a solidão.
pensativo porém de aparência confiante,
medo não sentia da noite porque
a treva tranquila do outono e
o vento álgido que despe
a lua das nuvens que veste
são hediondos mas não letais.
sobre questão me debruçaria
se não tivesse de andar,
mas se questão não é importante
a esta hora, quê mais será?
nos ladrilhos deitar-me-ei,
porquê não?
e me deleitarei do meu reinado
na ladeira de pedra,
já que os carros
não sobem o Cruzeiro
as três da manhã.
e daqui revelarei os mistérios
pra além dos pomposos
prédios de mármore
das rua do centro dessa cidade,
que cresce pra cima
levando os de cima,
enquanto concreta
os de baixo na liga
do alicerce.
me agarrarei numa
realidade não palpável,
na real, uma patética tentativa
de metafísica
do proletário bêbado
que vos fala a esta hora,
que não quer mais ser alicerce
de filho-da-puta nenhum,
por quê das flores que nascerão
no meu engenho,
não terei tempo de colher nenhuma,
e das vinícolas todas
de pau maciço
não tocarei num barril.
mas saibas que,
destas begônias inteiras que desabrocham,
dos hibiscos e até dos girassóis,
que não coexistiriam se fosse
por conta de gente que não sabe de jardinagem,
de todas essas flores
tenho ciência e poder,
e tenho também coletiva
consciência de colheita,
pra que todos tenhamos lírios
na janela da cozinha
das nossas mães
e rosas nos cabelos crespos de nossas mulheres.
por que eu governo tudo o que vejo
do auto da ladeira ladrilhada do Cruzeiro.
ladrilhada por mim mesmo,
de passagem devo dizer.
e não é só um florilégio de palavras
que você nunca viu
que me garantem este reino vil,
cheio de alicerces e espigões,
cheio de martelos e pregos,
cheio de ratos e gaviões.
é o próprio e verídico
causo que conto,
eu com minhas próprias mãos
construí esta cidade média
que demanda ser grande.
se não acredita,
olha em volta o que é feito de pedra
e aço, areia, cerâmica e cimento.
tudo está junto e em pé no esquadro correto
e iluminado pela mão do operário civil,
obra de todos os Severinos e Josés,
de todas as Marias, que trocam
flores por rugas,
e denunciam a solidão.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Todo neguinho é um poeta
Insone
porque a madrugada
nunca foi hora de dormir,
mas de sonhar.
pra isso poesia!
sonho
é a caneta cativa
da mão livre
e liberdade
é viver sem rascunho.
e vida,
é o quê?
neguinho correndo descalço no morro
esquecendo a miséria
pra onde a pipa for.
nasce assim um poeta,
um neguinho,
o poeta.
poesia é
esquecer a miséria
em que tu foi
metido.
nasce assim identidade
de neguinho
de sonhador
de homem livre
vivo e triste.
um poeta nagô.
das vielas e ruas,
das universidades.
um poeta neguinho,
nas esquinas da verdade
inspirando a fina flor
que vive:
no neguinho que eu fui,
no poeta que tu és.
e que eu ainda sou.
porque a madrugada
nunca foi hora de dormir,
mas de sonhar.
pra isso poesia!
sonho
é a caneta cativa
da mão livre
e liberdade
é viver sem rascunho.
e vida,
é o quê?
neguinho correndo descalço no morro
esquecendo a miséria
pra onde a pipa for.
nasce assim um poeta,
um neguinho,
o poeta.
poesia é
esquecer a miséria
em que tu foi
metido.
nasce assim identidade
de neguinho
de sonhador
de homem livre
vivo e triste.
um poeta nagô.
das vielas e ruas,
das universidades.
um poeta neguinho,
nas esquinas da verdade
inspirando a fina flor
que vive:
no neguinho que eu fui,
no poeta que tu és.
e que eu ainda sou.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Declaração de amor à minha classe
Nasci ao todo três vezes:
a primeira e mais conhecida
foi naquele treze de outubro
em que eu fui cuspido
para a luz branca e violenta
do capitalismo em sua fase
monopolista.
meus olhos doeram e
meus braços e pernas provavelmente,
mas de minha mãe só tive bons tratos
e o mundo pra mim foi um seio de mãe.
os mais leves anos de minha melhor vida.
a natureza indômita da pureza humana,
que não dura mais que 6 anos.
minha infância envelheceu
e eu morri.
depois nasci de novo
naquele sonho adolescente,
naquele inverno quente e bonito,
entre aquelas pernas esguias e negras.
foi quando aprendi a ler o corpo de mulher
recipiente que equilibra o sagrado e o profano
na alquimia que cria o amor.
incipiente e ainda egoísta
como a criança que matei na outra vida,
meti-me a alquimista,
a formula então foi perdendo o efeito
no corpo dela já não cabia meu amor,
e ela se foi, e eu morri outra vez.
e na vida material? já nasci morto,
como toda prole desprevenida e sem instrumento.
pútrido meu corpo se dirigia a fábrica
onde meu sangue e suor alimentavam uma máquina -
veja só a ironia - que fazia carteiras de trabalho.
eu era a personificação perfeita do Trabalho
acorrentado em 8 horas de produção,
descaracterizado de sua função,
de transformar a natureza em vida humana.
escravizado pelo outro lado da contradição,
Capital, o deus dessa religião monoteísta,
toda poderosa onipresença nas relações da humanidade.
destruindo as relações de verdadeira humanidade.
quando cruzei os braços
o deus de papel sucumbiu
e eu enxerguei que não estava em putrefação
o cheiro de podre que eu sinto não é meu.
Deus está morto e não sabe
cabe a nós enterrá-lo.
na luta de classes
difícil, ingrata e injusta
nasci pela última vez
e não pretendo morrer.
falhei como filho e como amante,
mas em minha classe não termino em mim mesmo,
em minha classe nasce o futuro,
em minha classe vivo para sempre.
a primeira e mais conhecida
foi naquele treze de outubro
em que eu fui cuspido
para a luz branca e violenta
do capitalismo em sua fase
monopolista.
meus olhos doeram e
meus braços e pernas provavelmente,
mas de minha mãe só tive bons tratos
e o mundo pra mim foi um seio de mãe.
os mais leves anos de minha melhor vida.
a natureza indômita da pureza humana,
que não dura mais que 6 anos.
minha infância envelheceu
e eu morri.
depois nasci de novo
naquele sonho adolescente,
naquele inverno quente e bonito,
entre aquelas pernas esguias e negras.
foi quando aprendi a ler o corpo de mulher
recipiente que equilibra o sagrado e o profano
na alquimia que cria o amor.
incipiente e ainda egoísta
como a criança que matei na outra vida,
meti-me a alquimista,
a formula então foi perdendo o efeito
no corpo dela já não cabia meu amor,
e ela se foi, e eu morri outra vez.
e na vida material? já nasci morto,
como toda prole desprevenida e sem instrumento.
pútrido meu corpo se dirigia a fábrica
onde meu sangue e suor alimentavam uma máquina -
veja só a ironia - que fazia carteiras de trabalho.
eu era a personificação perfeita do Trabalho
acorrentado em 8 horas de produção,
descaracterizado de sua função,
de transformar a natureza em vida humana.
escravizado pelo outro lado da contradição,
Capital, o deus dessa religião monoteísta,
toda poderosa onipresença nas relações da humanidade.
destruindo as relações de verdadeira humanidade.
quando cruzei os braços
o deus de papel sucumbiu
e eu enxerguei que não estava em putrefação
o cheiro de podre que eu sinto não é meu.
Deus está morto e não sabe
cabe a nós enterrá-lo.
na luta de classes
difícil, ingrata e injusta
nasci pela última vez
e não pretendo morrer.
falhei como filho e como amante,
mas em minha classe não termino em mim mesmo,
em minha classe nasce o futuro,
em minha classe vivo para sempre.
sexta-feira, 27 de maio de 2016
O homem preto
Esta é a história do homem preto
que causa convulsão no centro de conhecimento
da supremacia dos brancos.
o homem preto não acredita no racismo,
ele combate.
o homem preto não quer capital,
ele quer a revolução.
o homem preto
contra todo tipo de opressão.
os inimigos não acreditam no homem preto
por que o homem preto é perigoso ao poder.
eles querem um motivo para matá-lo.
procuram na casa do homem preto,
não encontram nada.
procuram na família do homem preto,
ninguém diz nada.
procuram na postura do homem preto,
mas esta é cristalina como a água.
mas o inimigo é astuto,
quer a cabeça do homem preto,
então usa a arma do oprimido
feita para se defender do homem branco,
para atacar, advinha quem,
o homem preto.
o capitão do mato forjava motivo
pra levar o preto pro tronco,
a polícia forja motivo
para levar o nosso povo pra cela,
o patrão conspira baixinho
para manter o homem preto na favela,
e mesmo vencendo essa vida
de mazelas,
novamente forjam motivo
para matar a dignidade
do homem preto,
e dizem que ele furou
o mandamento que a preta nagô, sua vó,
lhe ensinou:
"trate toda filha de Nanã com amor"
mas o homem preto é FORTE.
Olorum Ekê!
filho do Povo de santo FORTE!
Kaô Cabecilê,
Xangô, pai da justiça
quem conta contigo, não conta com a sorte.
que causa convulsão no centro de conhecimento
da supremacia dos brancos.
o homem preto não acredita no racismo,
ele combate.
o homem preto não quer capital,
ele quer a revolução.
o homem preto
contra todo tipo de opressão.
os inimigos não acreditam no homem preto
por que o homem preto é perigoso ao poder.
eles querem um motivo para matá-lo.
procuram na casa do homem preto,
não encontram nada.
procuram na família do homem preto,
ninguém diz nada.
procuram na postura do homem preto,
mas esta é cristalina como a água.
mas o inimigo é astuto,
quer a cabeça do homem preto,
então usa a arma do oprimido
feita para se defender do homem branco,
para atacar, advinha quem,
o homem preto.
o capitão do mato forjava motivo
pra levar o preto pro tronco,
a polícia forja motivo
para levar o nosso povo pra cela,
o patrão conspira baixinho
para manter o homem preto na favela,
e mesmo vencendo essa vida
de mazelas,
novamente forjam motivo
para matar a dignidade
do homem preto,
e dizem que ele furou
o mandamento que a preta nagô, sua vó,
lhe ensinou:
"trate toda filha de Nanã com amor"
mas o homem preto é FORTE.
Olorum Ekê!
filho do Povo de santo FORTE!
Kaô Cabecilê,
Xangô, pai da justiça
quem conta contigo, não conta com a sorte.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Panelas mudas
Olhos dóceis na TV
enquanto a vacilação
do golpista jorra.
a trama vazou
fazendo emergir o esgoto
na avenida Paulista
vazia.
Panelas mudas
em Copacabana,
mas em Costa Barros
os canos assassinos
continuam a berrar,
atravessando carros populares
e órgãos, e ossos, e sonhos
de famílias inteiras
Panelas mudas
para a miséria,
para a mentira,
para a omissão.
Panelas mudas
para a tarifa à 3,80,
para o encarceramento da juventude,
para a genocídio do povo preto.
Panelas mudas,
por que o que era mal
passou,
e por que o silêncio é
um privilégio
de classe.
enquanto a vacilação
do golpista jorra.
a trama vazou
fazendo emergir o esgoto
na avenida Paulista
vazia.
Panelas mudas
em Copacabana,
mas em Costa Barros
os canos assassinos
continuam a berrar,
atravessando carros populares
e órgãos, e ossos, e sonhos
de famílias inteiras
Panelas mudas
para a miséria,
para a mentira,
para a omissão.
Panelas mudas
para a tarifa à 3,80,
para o encarceramento da juventude,
para a genocídio do povo preto.
Panelas mudas,
por que o que era mal
passou,
e por que o silêncio é
um privilégio
de classe.
terça-feira, 12 de abril de 2016
Titun Igba (Novos Tempos)
Xangô Agodô,
Rei de Oyo
e do Rio.
Dono do trovão,
Pai Xangô.
Obá Kosso.
Justiça vai vir,
Afonjá,
governante Rei
vai vingar.
pela ira de Olorum,
Obá Jukatá
Se me escolheu,
Xangô,
vou cantar!
é tempo de amor
mãe Oyá.
Traz o Oxê
de Xangô Ajaká.
Rei de Oyo
e do Rio.
Dono do trovão,
Pai Xangô.
Obá Kosso.
Justiça vai vir,
Afonjá,
governante Rei
vai vingar.
pela ira de Olorum,
Obá Jukatá
Se me escolheu,
Xangô,
vou cantar!
é tempo de amor
mãe Oyá.
Traz o Oxê
de Xangô Ajaká.
domingo, 28 de fevereiro de 2016
Sobre o adeus
Havia um milhão de formas de sermos felizes
e mais de um milhão de jeitos de errar,
um milhão e meio de formas de ficar
e tantas outras milhões de formas de partir,
tantas e tantas substâncias e sentimentos
pra nos preencher,
mas escolhestes uma, a única
autêntica e indiscutível pior forma de seguir:
a distância.
sábado, 17 de outubro de 2015
Sobre a saudade
As estrelas são desbotadas
no céu metropolitano,
outubro é sempre quente
e sem pudor,
desço então a noite deserta
vou em direção às respostas,
mas todas as apostas que eu fiz
nunca me disseram nada.
saudade é mais
que acaso e ausência
de sentido,
saudade é mais
que falta
e solidão,
saudade é perder na vida
o motivo do sorriso
mas mantê-lo vivo no coração.
no céu metropolitano,
outubro é sempre quente
e sem pudor,
desço então a noite deserta
vou em direção às respostas,
mas todas as apostas que eu fiz
nunca me disseram nada.
saudade é mais
que acaso e ausência
de sentido,
saudade é mais
que falta
e solidão,
saudade é perder na vida
o motivo do sorriso
mas mantê-lo vivo no coração.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Samba-de-meio-de-ano
Canção de amor
e da solidão,
samba de meio de ano
em questão,
a chuva sempre cai
no fim do carnaval,
o amor sempre trai
no desfile final.
e aí, quem dirá que o coração
rasgado e sofrendo em vão, abandonado
como as alegorias do passado
será capaz de entender
o que houve de errado
e cantar na cadência de um samba-canção?
e da solidão,
samba de meio de ano
em questão,
a chuva sempre cai
no fim do carnaval,
o amor sempre trai
no desfile final.
e aí, quem dirá que o coração
rasgado e sofrendo em vão, abandonado
como as alegorias do passado
será capaz de entender
o que houve de errado
e cantar na cadência de um samba-canção?
domingo, 4 de outubro de 2015
Os sertões
Todos os dias são áridos,
nesta terra só eu me precipito.
o ar se vai e tudo teima em morrer
sob o céu sem nuvens de outubro.
primavera é sempre nada.
do chão estéril só brotam flores de plástico
na caatinga do meu coração só cactos
de onde eu tiro seiva bruta
e dou de beber em versos
a quem mais tiver sede.
acompanhado,
e demasiadamente só,
sempre.
porém, há sempre fogo
entre outras pernas,
e companhia descartável
noutros olhos.
há sempre um abraço de amor,
e outro de adeus.
e há sempre outras bocas, seios e mãos.
por fim há sempre outras flores,
mas desde ti meu coração é sertão,
e nos sertões tu se chama saudade.
nesta terra só eu me precipito.
o ar se vai e tudo teima em morrer
sob o céu sem nuvens de outubro.
primavera é sempre nada.
do chão estéril só brotam flores de plástico
na caatinga do meu coração só cactos
de onde eu tiro seiva bruta
e dou de beber em versos
a quem mais tiver sede.
acompanhado,
e demasiadamente só,
sempre.
porém, há sempre fogo
entre outras pernas,
e companhia descartável
noutros olhos.
há sempre um abraço de amor,
e outro de adeus.
e há sempre outras bocas, seios e mãos.
por fim há sempre outras flores,
mas desde ti meu coração é sertão,
e nos sertões tu se chama saudade.
domingo, 31 de maio de 2015
Ô preta,
O cheiro que você deixou
No meu peito
É de saudade.
Preta
É a pele de menina,
o corpo da mulher
Que me deixou sonhando.
A alma te olho de perto
No fundo do meu inconsciente.
Castanha,
Bem escura é tua íris.
Por trás dos olhos
Seus códigos
Continuam a me enlouquecer.
Decifro-te,
Mas mesmo assim
tu me devora.
Pretinha,
Minha.
Controversa materialização
do meu prazer
Abandono os polímatas franceses
E todo materialismo dos
Historiadores da Inglaterra.
Me pego calculando
As tuas medidas impossíveis,
Suas curvas perigosas
Das cifras e códigos
não sou amante
Mas nos teus números
Há poesia
Me sinto um tolo
Mas não te diminuo
À minha essência animal.
Afinal quem me ensinou a sorrir outra vez?
Preta, Pretinha
Quero ver teu black power
Florescer no meu espelho,
Brindando a liberdade com amor.
Queria ter pretinhos
Parecidos com você
E provar pro mundo
Que existem anjos negros
Queria tudo,
Mas neste quarto
A esta distância
Não posso me entregar.
Sou um poeta sozinho
Num samba triste
Ao luar.
Contando as garrafas vazias
E as bitucas de cigarros de palha
queimados no chão
Sonhando em contar estrelas contigo
E te dar o meu peito como abrigo.
O cheiro que você deixou
No meu peito
É de saudade.
Preta
É a pele de menina,
o corpo da mulher
Que me deixou sonhando.
A alma te olho de perto
No fundo do meu inconsciente.
Castanha,
Bem escura é tua íris.
Por trás dos olhos
Seus códigos
Continuam a me enlouquecer.
Decifro-te,
Mas mesmo assim
tu me devora.
Pretinha,
Minha.
Controversa materialização
do meu prazer
Abandono os polímatas franceses
E todo materialismo dos
Historiadores da Inglaterra.
Me pego calculando
As tuas medidas impossíveis,
Suas curvas perigosas
Das cifras e códigos
não sou amante
Mas nos teus números
Há poesia
Me sinto um tolo
Mas não te diminuo
À minha essência animal.
Afinal quem me ensinou a sorrir outra vez?
Preta, Pretinha
Quero ver teu black power
Florescer no meu espelho,
Brindando a liberdade com amor.
Queria ter pretinhos
Parecidos com você
E provar pro mundo
Que existem anjos negros
Queria tudo,
Mas neste quarto
A esta distância
Não posso me entregar.
Sou um poeta sozinho
Num samba triste
Ao luar.
Contando as garrafas vazias
E as bitucas de cigarros de palha
queimados no chão
Sonhando em contar estrelas contigo
E te dar o meu peito como abrigo.
sábado, 25 de abril de 2015
Sobre os passos de abril
meu peito é uma prisão
maciça e indestrutível
um complexo indivisível
de razão e desespero.
o produto sensato
de um destempero.
uma caixa sem enfase
e paradoxal.
neste tórax nu
a altas horas
bate um coração vagabundo,
moribundo,
mastigando as migalhas do mundo
recluso na prisão
de carne, osso e petulância
morrendo de arrogância,
vivendo este absurdo.
todas as mulheres dormem sobre meu peito
nenhuma ouve meu coração
que como um pássaro ferido
sussurra uma oração
com assovios baixos e surdos
a tempos regulares
perdidos nos passos mudos da multidão.
meus olhos doentes, carentes
se perdem em todos os seios e lábios
qualquer olhar recíproco me consola
nenhum me renova,
mas na madrugada
todos os malandros são sábios.
me volto então
a minha classe e alguns poemas
algumas mentiras me ajudam a viver
outras me ensinam com lemas
mas todas são falsas
e um dia vergonhosamente
ão de perecer.
e o fedor
da velha classe e dos velhos versos
não causarão furor
no mundo novo que há de vir
a liberdade me enche os olhos
mas não é pra mim
e pra fugir da decepção
me escondo
em minha gaiola
forrada de cetim.
maciça e indestrutível
um complexo indivisível
de razão e desespero.
o produto sensato
de um destempero.
uma caixa sem enfase
e paradoxal.
neste tórax nu
a altas horas
bate um coração vagabundo,
moribundo,
mastigando as migalhas do mundo
recluso na prisão
de carne, osso e petulância
morrendo de arrogância,
vivendo este absurdo.
todas as mulheres dormem sobre meu peito
nenhuma ouve meu coração
que como um pássaro ferido
sussurra uma oração
com assovios baixos e surdos
a tempos regulares
perdidos nos passos mudos da multidão.
meus olhos doentes, carentes
se perdem em todos os seios e lábios
qualquer olhar recíproco me consola
nenhum me renova,
mas na madrugada
todos os malandros são sábios.
me volto então
a minha classe e alguns poemas
algumas mentiras me ajudam a viver
outras me ensinam com lemas
mas todas são falsas
e um dia vergonhosamente
ão de perecer.
e o fedor
da velha classe e dos velhos versos
não causarão furor
no mundo novo que há de vir
a liberdade me enche os olhos
mas não é pra mim
e pra fugir da decepção
me escondo
em minha gaiola
forrada de cetim.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Vermelha, bandeira.
Sou do Partido Comunista Brasileiro,
minha bandeira quase centenária
não envelhece, ao contrário,
me remete àquele 25 de março
na Guanabara proletária,
mil novecentos e vinte e dois.
Partidão
de lutadores e insubmissos
como são os comunistas
em sua ênfase apaixonada.
apesar de tudo,
aquela bandeira vermelha
de foice e martelo augustos
se manteve tremulando
mesmo na chuva,
encharcada, pesada;
mesmo na noite fria,
solitária;
mesmo na dor
de ser incendiada;
sinalizou a saída:
a via camponesa,
a luta operária.
agora novamente
querem te condenar,
bandeira vermelha
do Partido Comunista.
novamente
odeiam tuas cores
e difamam teus ídolos.
teus militantes outra vez
estão prestes a sangrar.
mas prosseguem sem medo,
pois o sangue quente
que corre em suas veias
explica o vermelho nos olhos.
pois sabem
que todo comunista
é uma rosa vermelha
que quando arrancada
e jogada ao vento
vive pra sempre
em seu perfume,
e borda no seio do povo
que o socialismo
é o futuro do mundo.
minha bandeira quase centenária
não envelhece, ao contrário,
me remete àquele 25 de março
na Guanabara proletária,
mil novecentos e vinte e dois.
Partidão
de lutadores e insubmissos
como são os comunistas
em sua ênfase apaixonada.
apesar de tudo,
aquela bandeira vermelha
de foice e martelo augustos
se manteve tremulando
mesmo na chuva,
encharcada, pesada;
mesmo na noite fria,
solitária;
mesmo na dor
de ser incendiada;
sinalizou a saída:
a via camponesa,
a luta operária.
agora novamente
querem te condenar,
bandeira vermelha
do Partido Comunista.
novamente
odeiam tuas cores
e difamam teus ídolos.
teus militantes outra vez
estão prestes a sangrar.
mas prosseguem sem medo,
pois o sangue quente
que corre em suas veias
explica o vermelho nos olhos.
pois sabem
que todo comunista
é uma rosa vermelha
que quando arrancada
e jogada ao vento
vive pra sempre
em seu perfume,
e borda no seio do povo
que o socialismo
é o futuro do mundo.
quinta-feira, 5 de março de 2015
Um comunista
Caminho pelo Centro
não vou sem rumo.
anseio a luz da liberdade
e a cada esquina
um arrepio na pele,
e um vento frio no peito.
moro no coração rebelde
dos meus camaradas.
os muros vão caindo
enquanto passamos.
pernas, mastros e bandeiras vermelhas
se misturam ao clarão que se extingue
por trás da serra.
o anoitecer abre corações.
eu os invado.
os olhos me espelham a semelhança
de cada homem e mulher livre,
todos os ouvidos atentos na fala
de um comunista frágil
que para o tráfego,
desmonta o quebra cabeça de concreto,
interrompe as veias da cidade,
e faz o coração proletário bater.
depois segue em frente,
pois progredir
é a natureza do comunista,
mas a cada vez que caminha
pinta um canto da cidade
de vermelho.
não vou sem rumo.
anseio a luz da liberdade
e a cada esquina
um arrepio na pele,
e um vento frio no peito.
moro no coração rebelde
dos meus camaradas.
os muros vão caindo
enquanto passamos.
pernas, mastros e bandeiras vermelhas
se misturam ao clarão que se extingue
por trás da serra.
o anoitecer abre corações.
eu os invado.
os olhos me espelham a semelhança
de cada homem e mulher livre,
todos os ouvidos atentos na fala
de um comunista frágil
que para o tráfego,
desmonta o quebra cabeça de concreto,
interrompe as veias da cidade,
e faz o coração proletário bater.
depois segue em frente,
pois progredir
é a natureza do comunista,
mas a cada vez que caminha
pinta um canto da cidade
de vermelho.
Capitalismo:
Não importa se é neo-liberal ou keynesiano.
Não importa se a empresa é privada ou estatal.
Não importa se o petróleo é "nosso" ou deles.
Não importa se é estrela ou tucano.
Capitalismo mata,
mutila.
Capitalismo tira a dignidade,
torna o homem descartável.
Capitalismo é hostil.
Pra começarmos a viver,
ele precisa acabar.
Não importa se é neo-liberal ou keynesiano.
Não importa se a empresa é privada ou estatal.
Não importa se o petróleo é "nosso" ou deles.
Não importa se é estrela ou tucano.
Capitalismo mata,
mutila.
Capitalismo tira a dignidade,
torna o homem descartável.
Capitalismo é hostil.
Pra começarmos a viver,
ele precisa acabar.
segunda-feira, 2 de março de 2015
Quatrocentos e cinquenta
Feliz aniversário
ao Rio de verdade,
ao Rio operário
dos becos incontáveis.
parabéns ao Rio feio
dos marginais e miseráveis,
donos de todas as ruas,
alienados à cidade.
ao Rio de verdade,
ao Rio operário
dos becos incontáveis.
parabéns ao Rio feio
dos marginais e miseráveis,
donos de todas as ruas,
alienados à cidade.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Pranto de poeta
Realmente,
a rua não é lugar de poesia
quando a calçada sangra na pauta.
É nas sarjetas improváveis da Baixada
que há tristeza,
nas praças, nos parques
e construções abandonadas,
garimpa-se beleza
as vezes ela mesma nos acha.
Quem pode ver?
é uma pedra sem gosto
nas ruínas do progresso,
lavada de sangue negro
e óleo preto de carro
brilhando decadente no asfalto quente.
São estrelas bordadas no papel
pela mão esquerda do poeta,
e como dói o fedor dessa atmosfera.
respira-se o ar, sente-se o fel,
a náusea logo vai chegar,
a mão direita vai tremer de horror
mas é mesmo a esquerda que sangra melhor a caneta.
É duro garimpar na Baixada
e tem vezes ainda, que o poeta descobre
que no concreto não há nada,
nem prata, nem ouro, nem cobre
e que a fétida putrefação tem endereço,
tem classe, sempre é pobre.
Eu compreendo o poeta que deixou de navegar
enganado neste céu estéril sem estrelas
já sem encontrar razão pra caneta,
notou que na Baixada não tem horizonte
e que a cidade é uma prisão de concreto
para seres humanos livres
Passem longe soldados e carros da polícia,
e passem longe cidadãos e celulares,
a multidão alucinada do século,
passem longe vencedores e populares.
um poeta sucumbiu,
se arquejou, lamentou, se esvaiu.
soltou um grito de dor, ninguém ouviu
e a massa logo seguiu o fluxo diário do caos.
pisando pra lá e pra cá, sem notar
que no asfalto é a beleza que escorre
e o medo da noite fria vai me acordar
pois toda vez que anoitece um poeta morre.
a rua não é lugar de poesia
quando a calçada sangra na pauta.
É nas sarjetas improváveis da Baixada
que há tristeza,
nas praças, nos parques
e construções abandonadas,
garimpa-se beleza
as vezes ela mesma nos acha.
Quem pode ver?
é uma pedra sem gosto
nas ruínas do progresso,
lavada de sangue negro
e óleo preto de carro
brilhando decadente no asfalto quente.
São estrelas bordadas no papel
pela mão esquerda do poeta,
e como dói o fedor dessa atmosfera.
respira-se o ar, sente-se o fel,
a náusea logo vai chegar,
a mão direita vai tremer de horror
mas é mesmo a esquerda que sangra melhor a caneta.
É duro garimpar na Baixada
e tem vezes ainda, que o poeta descobre
que no concreto não há nada,
nem prata, nem ouro, nem cobre
e que a fétida putrefação tem endereço,
tem classe, sempre é pobre.
Eu compreendo o poeta que deixou de navegar
enganado neste céu estéril sem estrelas
já sem encontrar razão pra caneta,
notou que na Baixada não tem horizonte
e que a cidade é uma prisão de concreto
para seres humanos livres
Passem longe soldados e carros da polícia,
e passem longe cidadãos e celulares,
a multidão alucinada do século,
passem longe vencedores e populares.
um poeta sucumbiu,
se arquejou, lamentou, se esvaiu.
soltou um grito de dor, ninguém ouviu
e a massa logo seguiu o fluxo diário do caos.
pisando pra lá e pra cá, sem notar
que no asfalto é a beleza que escorre
e o medo da noite fria vai me acordar
pois toda vez que anoitece um poeta morre.
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