Sou do Partido Comunista Brasileiro,
minha bandeira quase centenária
não envelhece, ao contrário,
me remete àquele 25 de março
na Guanabara proletária,
mil novecentos e vinte e dois.
Partidão
de lutadores e insubmissos
como são os comunistas
em sua ênfase apaixonada.
apesar de tudo,
aquela bandeira vermelha
de foice e martelo augustos
se manteve tremulando
mesmo na chuva,
encharcada, pesada;
mesmo na noite fria,
solitária;
mesmo na dor
de ser incendiada;
sinalizou a saída:
a via camponesa,
a luta operária.
agora novamente
querem te condenar,
bandeira vermelha
do Partido Comunista.
novamente
odeiam tuas cores
e difamam teus ídolos.
teus militantes outra vez
estão prestes a sangrar.
mas prosseguem sem medo,
pois o sangue quente
que corre em suas veias
explica o vermelho nos olhos.
pois sabem
que todo comunista
é uma rosa vermelha
que quando arrancada
e jogada ao vento
vive pra sempre
em seu perfume,
e borda no seio do povo
que o socialismo
é o futuro do mundo.
quarta-feira, 18 de março de 2015
quinta-feira, 5 de março de 2015
Um comunista
Caminho pelo Centro
não vou sem rumo.
anseio a luz da liberdade
e a cada esquina
um arrepio na pele,
e um vento frio no peito.
moro no coração rebelde
dos meus camaradas.
os muros vão caindo
enquanto passamos.
pernas, mastros e bandeiras vermelhas
se misturam ao clarão que se extingue
por trás da serra.
o anoitecer abre corações.
eu os invado.
os olhos me espelham a semelhança
de cada homem e mulher livre,
todos os ouvidos atentos na fala
de um comunista frágil
que para o tráfego,
desmonta o quebra cabeça de concreto,
interrompe as veias da cidade,
e faz o coração proletário bater.
depois segue em frente,
pois progredir
é a natureza do comunista,
mas a cada vez que caminha
pinta um canto da cidade
de vermelho.
não vou sem rumo.
anseio a luz da liberdade
e a cada esquina
um arrepio na pele,
e um vento frio no peito.
moro no coração rebelde
dos meus camaradas.
os muros vão caindo
enquanto passamos.
pernas, mastros e bandeiras vermelhas
se misturam ao clarão que se extingue
por trás da serra.
o anoitecer abre corações.
eu os invado.
os olhos me espelham a semelhança
de cada homem e mulher livre,
todos os ouvidos atentos na fala
de um comunista frágil
que para o tráfego,
desmonta o quebra cabeça de concreto,
interrompe as veias da cidade,
e faz o coração proletário bater.
depois segue em frente,
pois progredir
é a natureza do comunista,
mas a cada vez que caminha
pinta um canto da cidade
de vermelho.
Capitalismo:
Não importa se é neo-liberal ou keynesiano.
Não importa se a empresa é privada ou estatal.
Não importa se o petróleo é "nosso" ou deles.
Não importa se é estrela ou tucano.
Capitalismo mata,
mutila.
Capitalismo tira a dignidade,
torna o homem descartável.
Capitalismo é hostil.
Pra começarmos a viver,
ele precisa acabar.
Não importa se é neo-liberal ou keynesiano.
Não importa se a empresa é privada ou estatal.
Não importa se o petróleo é "nosso" ou deles.
Não importa se é estrela ou tucano.
Capitalismo mata,
mutila.
Capitalismo tira a dignidade,
torna o homem descartável.
Capitalismo é hostil.
Pra começarmos a viver,
ele precisa acabar.
segunda-feira, 2 de março de 2015
Quatrocentos e cinquenta
Feliz aniversário
ao Rio de verdade,
ao Rio operário
dos becos incontáveis.
parabéns ao Rio feio
dos marginais e miseráveis,
donos de todas as ruas,
alienados à cidade.
ao Rio de verdade,
ao Rio operário
dos becos incontáveis.
parabéns ao Rio feio
dos marginais e miseráveis,
donos de todas as ruas,
alienados à cidade.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Pranto de poeta
Realmente,
a rua não é lugar de poesia
quando a calçada sangra na pauta.
É nas sarjetas improváveis da Baixada
que há tristeza,
nas praças, nos parques
e construções abandonadas,
garimpa-se beleza
as vezes ela mesma nos acha.
Quem pode ver?
é uma pedra sem gosto
nas ruínas do progresso,
lavada de sangue negro
e óleo preto de carro
brilhando decadente no asfalto quente.
São estrelas bordadas no papel
pela mão esquerda do poeta,
e como dói o fedor dessa atmosfera.
respira-se o ar, sente-se o fel,
a náusea logo vai chegar,
a mão direita vai tremer de horror
mas é mesmo a esquerda que sangra melhor a caneta.
É duro garimpar na Baixada
e tem vezes ainda, que o poeta descobre
que no concreto não há nada,
nem prata, nem ouro, nem cobre
e que a fétida putrefação tem endereço,
tem classe, sempre é pobre.
Eu compreendo o poeta que deixou de navegar
enganado neste céu estéril sem estrelas
já sem encontrar razão pra caneta,
notou que na Baixada não tem horizonte
e que a cidade é uma prisão de concreto
para seres humanos livres
Passem longe soldados e carros da polícia,
e passem longe cidadãos e celulares,
a multidão alucinada do século,
passem longe vencedores e populares.
um poeta sucumbiu,
se arquejou, lamentou, se esvaiu.
soltou um grito de dor, ninguém ouviu
e a massa logo seguiu o fluxo diário do caos.
pisando pra lá e pra cá, sem notar
que no asfalto é a beleza que escorre
e o medo da noite fria vai me acordar
pois toda vez que anoitece um poeta morre.
a rua não é lugar de poesia
quando a calçada sangra na pauta.
É nas sarjetas improváveis da Baixada
que há tristeza,
nas praças, nos parques
e construções abandonadas,
garimpa-se beleza
as vezes ela mesma nos acha.
Quem pode ver?
é uma pedra sem gosto
nas ruínas do progresso,
lavada de sangue negro
e óleo preto de carro
brilhando decadente no asfalto quente.
São estrelas bordadas no papel
pela mão esquerda do poeta,
e como dói o fedor dessa atmosfera.
respira-se o ar, sente-se o fel,
a náusea logo vai chegar,
a mão direita vai tremer de horror
mas é mesmo a esquerda que sangra melhor a caneta.
É duro garimpar na Baixada
e tem vezes ainda, que o poeta descobre
que no concreto não há nada,
nem prata, nem ouro, nem cobre
e que a fétida putrefação tem endereço,
tem classe, sempre é pobre.
Eu compreendo o poeta que deixou de navegar
enganado neste céu estéril sem estrelas
já sem encontrar razão pra caneta,
notou que na Baixada não tem horizonte
e que a cidade é uma prisão de concreto
para seres humanos livres
Passem longe soldados e carros da polícia,
e passem longe cidadãos e celulares,
a multidão alucinada do século,
passem longe vencedores e populares.
um poeta sucumbiu,
se arquejou, lamentou, se esvaiu.
soltou um grito de dor, ninguém ouviu
e a massa logo seguiu o fluxo diário do caos.
pisando pra lá e pra cá, sem notar
que no asfalto é a beleza que escorre
e o medo da noite fria vai me acordar
pois toda vez que anoitece um poeta morre.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Bem-vindo à máquina
O primeiro passo
de um conjunto de passos caóticos.
preso ao labirinto
e as tendências da cidade.
há quem diga que este tempo
empobrece o homem,
eu não discordo,
mas quem sou eu?
quem é tu?
preso a esta lógica
por uma conta bancária,
todos os homens podem ir
aonde quiserem,
mas todos vão ao trabalho.
voltam trazendo dinheiro e ferrugem,
se tornam menos livres,
mas podem ter celulares.
cansado, não olho o relógio
que esquenta e me queima o pulso
o sol me diz que são meio dia
minha pele e o concreto
derretem e se misturam,
expondo a feiura do homem e da rua,
impregnada nos ossos e nas vigas.
comprei muitas coisas
mas não vivo melhor,
algumas me parecem bonitas,
as ostento no pulso,
são pequenas mentiras
que eu me permito contar.
preto e comunista,
não fui bem-vindo
quando cheguei à máquina.
causei uma disfunção,
fui reprimido.
hoje me olham com olhos
de fera ferida,
mas as íris não brilham.
o espírito do progresso está caduco
e todos os olhos têm cataratas.
sou o câncer e a flor,
e alimento esse fogo no coração dos pequenos
ando caótico, pobre e cansado
mas ainda sou a juventude do mundo.
contradigo o rumo da história.
ao filho do beco, da caixa de ferramentas,
do Morro da Mangueira
a palmatória não foi
o único professor na vida.
e da maternidade ao cemitério
o tempo é o chão de fábrica,
"Olá, meu filho!
bem-vindo à máquina".
de um conjunto de passos caóticos.
preso ao labirinto
e as tendências da cidade.
há quem diga que este tempo
empobrece o homem,
eu não discordo,
mas quem sou eu?
quem é tu?
preso a esta lógica
por uma conta bancária,
todos os homens podem ir
aonde quiserem,
mas todos vão ao trabalho.
voltam trazendo dinheiro e ferrugem,
se tornam menos livres,
mas podem ter celulares.
cansado, não olho o relógio
que esquenta e me queima o pulso
o sol me diz que são meio dia
minha pele e o concreto
derretem e se misturam,
expondo a feiura do homem e da rua,
impregnada nos ossos e nas vigas.
comprei muitas coisas
mas não vivo melhor,
algumas me parecem bonitas,
as ostento no pulso,
são pequenas mentiras
que eu me permito contar.
preto e comunista,
não fui bem-vindo
quando cheguei à máquina.
causei uma disfunção,
fui reprimido.
hoje me olham com olhos
de fera ferida,
mas as íris não brilham.
o espírito do progresso está caduco
e todos os olhos têm cataratas.
sou o câncer e a flor,
e alimento esse fogo no coração dos pequenos
ando caótico, pobre e cansado
mas ainda sou a juventude do mundo.
contradigo o rumo da história.
ao filho do beco, da caixa de ferramentas,
do Morro da Mangueira
a palmatória não foi
o único professor na vida.
e da maternidade ao cemitério
o tempo é o chão de fábrica,
"Olá, meu filho!
bem-vindo à máquina".
Vadio
Meu coração é um vadio sem rumo
cambaleando pelas calçadas do mundo,
vivendo a ilusão da velha boemia,
por vadiagem, por ilusão de alegria
volto a dizer que meu coração é vadio.
morrendo de amores, vivendo no frio,
tropicando nas próprias distrações,
dilacerando outros corações
neste peito que não é vazio carrego
as dores da vida que eu não nego,
todos os sonhos quebrados ainda vivem
moribundos, neste peito vadio resistem
meu coração vagabundo sangra e rabisca estes versos
nas minhas cordas de aço conquisto o universo,
me ponho a cantar poesia pra tudo que existe
mas na madrugada amarga todos os sambas são tristes.
então caneta me samba nos dedos anunciando a desgraça
quando me vejo no espelho soprando a vida e a fumaça.
em tristeza e a abandono minha vida não pode acabar
pois meu coração vadio continua a sonhar.
cambaleando pelas calçadas do mundo,
vivendo a ilusão da velha boemia,
por vadiagem, por ilusão de alegria
volto a dizer que meu coração é vadio.
morrendo de amores, vivendo no frio,
tropicando nas próprias distrações,
dilacerando outros corações
neste peito que não é vazio carrego
as dores da vida que eu não nego,
todos os sonhos quebrados ainda vivem
moribundos, neste peito vadio resistem
meu coração vagabundo sangra e rabisca estes versos
nas minhas cordas de aço conquisto o universo,
me ponho a cantar poesia pra tudo que existe
mas na madrugada amarga todos os sambas são tristes.
então caneta me samba nos dedos anunciando a desgraça
quando me vejo no espelho soprando a vida e a fumaça.
em tristeza e a abandono minha vida não pode acabar
pois meu coração vadio continua a sonhar.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
meus pés, suas asas.
Um cigarro entre os dedos
vai me queimando a alma,
os insumos vão cozendo
enquanto eu espero.
as teias das aranhas
se separam da parede
e cada vez mais
se parecem com a minha pele.
coço a nuca algumas vezes,
no peito o suor brota nos poros,
respiro devagar, mas respiro.
meus olhos fixos na fumaça
capturam um eco distante dentro do peito.
são os resquícios de um som que nunca existiu,
ele nasce nas entranhas,
ele ganha os pulmões,
ele rasga a garganta,
ele morre na ponta da língua, toda vez.
suas palavras ficam sempre
ecoando entre o passado
e a eternidade,
sem nunca ser presente.
da fumaça ainda capturo
nicotina e algumas dores.
posso sentir cada ferida
que meus pulmões vão ter
esfaqueados pelas palavras não ditas
mesmo assim não me arrependo
do que ainda vivo.
a este rapaz fora de órbita
chamam viciado em tristeza.
mas se posso defender-me
digo que a tristeza é o melhor de mim.
torna minha alma íntegra,
me adestra a escrita
e garante que meus olhos
só brilhem por genuína alegria.
e àquela suave menina
dos braços grandes e mãos miúdas,
de flor no cabelo e no sorriso
meus olhos brilham com gosto,
pois faz dos meus dias mais leves.
sob seu corpo pesado
e seus gritos de prazer
que me mastigam o juízo
há ainda algum sentido pro voo.
mas a leveza não é de mim
e não sei até quando voar me será fácil.
sou um instinto e um sentimento
disputando o movimento
e o caminho do próximo passo,
pois com os pés sou mais livre
do que com as asas.
não tenho acordos com o vento
nem mesmo com o chão de pedras
onde ainda tropeço,
já caminho como homem
mas ainda engatinho
como poeta e como amante
e se te alegra saber dos meus dilemas
adormecerei sob tecido frio esta noite,
mas antes pensarei do calor dos teus olhos.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
O samba dos terreiros da cidade
Ela dança no terreiro
e os cabelos a balançar
ela balança no terreiro
e os cabelos a dançar
ela dança no terreiro
e os cabelos a balançar
ela balança o mundo inteiro
com suas cadeiras a requebrar
ela enfeitiça o partideiro
com seu sorriso, seu olhar
o poeta sente o peito
e põe a caneta pra dançar
nesse terreiro de cidade
a rua pára só pra olhar
quando ela solta os fios negros
ela solta a magia pelo ar.
e os cabelos a balançar
ela balança no terreiro
e os cabelos a dançar
ela dança no terreiro
e os cabelos a balançar
ela balança o mundo inteiro
com suas cadeiras a requebrar
ela enfeitiça o partideiro
com seu sorriso, seu olhar
o poeta sente o peito
e põe a caneta pra dançar
nesse terreiro de cidade
a rua pára só pra olhar
quando ela solta os fios negros
ela solta a magia pelo ar.
sábado, 17 de janeiro de 2015
Sobre o amor
às vezes acaba
às vezes demora
às vezes trai
às vezes sai
para comprar cigarros
e não volta
mas às vezes,
e só às vezes
fica pra sempre no peito
ao contrário
do que se pensa por aí
amor não é fórmula
e não senta no divã
não é uma família
uma casa
e um sedã
amor não é classe
e não é médio
amor é grande
nem sempre é hétero
amor se mede
mas a conta é infinita
amor se define
ao mesmo tempo
que se limita
pode ser
um desenho à mão livre
de uma criança
ou os riscos no chão do salão
depois da dança
marcando o toque
e a parceria
fingindo sincronia
pois no tango
há sempre alguém
que chora
amor não é constância
é transitoriedade
é o orgasmo de estrelas
da eternidade
o amor é moleque
e pula a janela
amor não é cais do porto
amor é barco à vela.
levado no vento
por essa imensidão triste
desenhando estrelas
em tudo o que existe.
às vezes demora
às vezes trai
às vezes sai
para comprar cigarros
e não volta
mas às vezes,
e só às vezes
fica pra sempre no peito
ao contrário
do que se pensa por aí
amor não é fórmula
e não senta no divã
não é uma família
uma casa
e um sedã
amor não é classe
e não é médio
amor é grande
nem sempre é hétero
amor se mede
mas a conta é infinita
amor se define
ao mesmo tempo
que se limita
pode ser
um desenho à mão livre
de uma criança
ou os riscos no chão do salão
depois da dança
marcando o toque
e a parceria
fingindo sincronia
pois no tango
há sempre alguém
que chora
amor não é constância
é transitoriedade
é o orgasmo de estrelas
da eternidade
o amor é moleque
e pula a janela
amor não é cais do porto
amor é barco à vela.
levado no vento
por essa imensidão triste
desenhando estrelas
em tudo o que existe.
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