Hoje eu nasci pra poesia
Não me amole
Não me solte
Pois eu vou
Talvez não volte
Hoje eu nasci pro violão
Pras rosas que não falam
Não me aplauda
Não me pare
E que esse samba
Nunca acabe.
sábado, 23 de agosto de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
Incendiando o terceiro bar
mandei mensagens
mas que se foda
você não tá nem aí
vou sair pela noite
porque tá frio, e o frio
me congela os pensamentos
que me levam pra você
entro no primeiro bar
e a primeira coisa que faço
É pedir um conhaque
bebo tudo de uma vez
e ponho fogo no lugar
saio batido
no vento frio
não pago a conta
preciso congelar
você de novo aí dentro
tenho fogo no estomago
e brasa queimando tabaco
entre o indicador e o médio
da mão direita
na mão esquerda
o peito em cacos
no reflexo dos olhos
uma garrafa de rum
em cima do balcão
peço tudo e bebo metade
meia hora depois
o lugar está em chamas
incendiei o segundo bar
pego meu casaco
e corro na chuva
tá frio pra caralho
e a chuva só piora
você morre de hipotermia
pela segunda vez hoje
as luzes brilham demais
e eu estou ensopado
a cidade se retira
mas são só dez da noite
no bolso do casaco noto
o maço de cigarro encharcado
preciso fumar - penso comigo.
vinte metros a frente
o anuncio na vitrine
me avisa que a noite
ta acabando
na minha mente
você risca o fósforo
meu coração começa
a bombear o combustível
muito rápido
atrás do balcão
alguém me vende um Derby
procuro o esqueiro
mas você
já incendiou o terceiro bar.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Poema do C.A.
Não havia fogo
mas havia fumaça
enquanto o álcool
aquecia, a vida passava
no ambiente estéril
a poesia se faz sozinha
na luz branca da sala
a escuridão
da noite nos guia.
Nos sentimos livres dentro
de nós mesmos
lá fora papeis e canetas
mentiras veladas
em quadros negros
aqui dentro garrafas viradas
e corações batendo
poesia na parede
poetas crescendo
ao redor da mesa
políticos, professores
matemáticos, historiadores
Bons senhores, boas senhoras
incompreendidos
se compreendendo
por horas e horas.
mas havia fumaça
enquanto o álcool
aquecia, a vida passava
no ambiente estéril
a poesia se faz sozinha
na luz branca da sala
a escuridão
da noite nos guia.
Nos sentimos livres dentro
de nós mesmos
lá fora papeis e canetas
mentiras veladas
em quadros negros
aqui dentro garrafas viradas
e corações batendo
poesia na parede
poetas crescendo
ao redor da mesa
políticos, professores
matemáticos, historiadores
Bons senhores, boas senhoras
incompreendidos
se compreendendo
por horas e horas.
A guerra e a caça
Um breve devaneio:
"A guerra e a caça
não fazem sentido
sem a morte,
a própria morte
não faz sentido sem a vida,
E as vezes a vida
simplesmente
não faz sentido.
Pode ser que a caça seja a vida
e a guerra seja a morte
Pois se na caça
a vida justifica a morte
na guerra
a possibilidade da morte
Dá sentido a vida"
Mas tanto faz.
Outra vez
no mesmo sofá encardido,
com o mesmo
vinho seco barato,
o mesmo maço de cigarros,
um filme qualquer passando no mudo,
pessoas sem voz.
Todo dia essa porra
Tô cansado disso
Vou me entorpecer e
adormecer confortavelmente.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Por um dia azul universal que nunca acabe
Dias azuis precedem nuvens
negras
Dias cinza nada querem
dizer
O motor avança alto na
avenida
Ao seu lado o progresso
azul
A opulência, o arrojo
Os muros altos azuis
As paredes e as luzes
através das janelas
Os vestidos das senhoritas
Os carrinhos de bebê
Até as calçadas, as
árvores, os olhos
Dia azul, tudo azul.
A esquina funciona feito
vírgula
Ou como o vento que trás
as nuvens
Que tiram a graça do
pique-nique
Que matam o sentido do
riso.
A segunda parte da avenida
É um grande “porém”
a primeira,
Do outro lado um rosto
enrugado
Uma tempestade nos olhos
Obstinadamente frágil
A pele rija de frio é a
pele negra
Suja de suor e poeira
Impregnada de si mesma
Em meio ao lixo cata latas
Velha, pobre, ostracionada
Nuvens negras, tudo
escuro.
Eu meio a isso estou eu
Como deveria estar?
Com o pensamento em meu
destino
Em meu progresso
Planejando um belo dia
azul que nunca acabe
Eu deveria estar cinza
Mas não estou
Dias cinza nada têm a
dizer.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Liquidificador
A visão e as telas,
As células e as máquinas
A comida e as páginas
(Choo! Choo!)
A maria e a fumaça
O guarda e a roupa
O livro e a praga
Os computadores e suas personas
O livro e a nota
A ação do fogo
O derretedor de sólidos
Tudo que há de concreto é disforme
Só as tempestades cerebrais liquidificam
Televisores, celulares e
Livros de culinária
(Chaminés Chaminés)
Maria-fumaça
Guarda-roupas
Traças
PCs, Notebooks
Botafogo
Liquidificador.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Hardcore
Corra ou morra
Porra!
Na vida
Ou corre
ou morre,
Pra você
É experiência
na ciência
A convivência
Nessa área
Perigosa e
Hostil,
Rima vil
Na Brasil,
A mil,
Som de fuzil,
Putaquepariu!!!
Pois é tio
Pele preta
Atrai treta
No planeta
Dos negócios ilegais
Hardcore
Hardcore
Hardcore
E água benta, rapaz.
Porra!
Na vida
Ou corre
ou morre,
Pra você
É experiência
na ciência
A convivência
Nessa área
Perigosa e
Hostil,
Rima vil
Na Brasil,
A mil,
Som de fuzil,
Putaquepariu!!!
Pois é tio
Pele preta
Atrai treta
No planeta
Dos negócios ilegais
Hardcore
Hardcore
Hardcore
E água benta, rapaz.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
O dia em que o morro descer e não for carnaval
Esses samples e esse jazz
Os batimentos nos meus pés
Abafando o som gelado
Do peito dos infiéis
Somos filhos do revés
Nossos dedos sem anéis
Não carregam alianças
Entre o meu gueto e os seus cartéis.
A emoção também faz parte
O morro transborda arte
No seu peito o medo arde
Eles nos tratam como as FARC
Há sempre fogo, e há combate
Há sempre fé e ninguém se abate
Wilson das Neves é Nostradamus
Ele tá certo e você sabe.
A revolução não tem jornal
Ou emissora oficial
O morro desce e faz da rua
Caminho pro arsenal
Não existe bem e mal
Neste juízo final
No dia em que o morro descer
E não for carnaval.
Os batimentos nos meus pés
Abafando o som gelado
Do peito dos infiéis
Somos filhos do revés
Nossos dedos sem anéis
Não carregam alianças
Entre o meu gueto e os seus cartéis.
A emoção também faz parte
O morro transborda arte
No seu peito o medo arde
Eles nos tratam como as FARC
Há sempre fogo, e há combate
Há sempre fé e ninguém se abate
Wilson das Neves é Nostradamus
Ele tá certo e você sabe.
A revolução não tem jornal
Ou emissora oficial
O morro desce e faz da rua
Caminho pro arsenal
Não existe bem e mal
Neste juízo final
No dia em que o morro descer
E não for carnaval.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Poema da Nega (Tudo o que não cabe no poeta)
A poesia não cabia no papel
Estourou a caneta
Mudou a faceta
Trocou de língua
Tudo o que não cabia no poeta
Era a torre de babel
Por entre as nuvens subiu ao céu
Sussurrou em seus ouvidos
Uma leve brisa
Persevere, minha querida
Persevere.
Todas as bocas não servem
Que seus beijos me esperem
Eu tenho um sonho
E ele tem seu nome na capa
Conta sua brava
História nas páginas
Está manchado
Com suas lágrimas
Cadê o seu suor
E o seu sangue?
Seu sonho
Pisoteado pelos
Um milhão de pés da história
Que corre em círculos
Apressa os relógios
Compulsória, irrisória
Fecho os olhos e
Com seu beijo doce
Eu me guio
Desenhando pelo seu corpo um rio
Sem dizer um pio.
Sem ver a cor.
Só o sabor
Do amor.
Estourou a caneta
Mudou a faceta
Trocou de língua
Tudo o que não cabia no poeta
Era a torre de babel
Por entre as nuvens subiu ao céu
Sussurrou em seus ouvidos
Uma leve brisa
Persevere, minha querida
Persevere.Todas as bocas não servem
Que seus beijos me esperem
Eu tenho um sonho
E ele tem seu nome na capa
Conta sua brava
História nas páginas
Está manchado
Com suas lágrimas
Cadê o seu suor
E o seu sangue?
Seu sonho
Pisoteado pelos
Um milhão de pés da história
Que corre em círculos
Apressa os relógios
Compulsória, irrisória
Fecho os olhos e
Com seu beijo doce
Eu me guio
Desenhando pelo seu corpo um rio
Sem dizer um pio.
Sem ver a cor.
Só o sabor
Do amor.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Molotovs no congresso
A Babilônia te governa
Sua consciência hiberna
Mas a vitória é certa
É hora de sonhar.
Eles querem jogar
O tabuleiro é deles
O dado é viciado
E não está do nosso lado
Sobre o viaduto os carros atacam
Sob as marquises os mendigos defendem
Suas feridas pútridas nos ofendem
Os motores importados quase falam
De cima dos blindados a polícia massacra
Encolhida nos becos a favela resiste
E no asfalto com o dedo médio em riste
A juventude ativista é emborrachada
Enquanto isso nas telas gigantes
Da classe média pequeno-pensante
A violência é tão fascinante
Enquanto está tão distante.
E porque igrejas se ensina
O mesmo jogo das esquinas?
A benção aos nobres,
À plebe a sua sina.
E se a escada para o sucesso
Passa por cima de você
Por que não acender
Molotovs nos congresso?
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