A noite era púrpura quando a beleza se desfez
Meu sorriso era cheio de verdade
Meus insultos eram parte da amizade
E até se eu te fizesse mal, era "púrpura" bondade
A cor púrpura e o mistério da bondade.
É como o bailar de uma bailarina no escuro
Sussurrando em um ouvido surdo
Palavras do amor mais cruel
Dê-me o céu
Mas pode ficar com as estrelas
Eu quero apenas a cor e o amor
Deixo para você a beleza
A beleza é o que passa!
Por trás de um véu de fumaça
A cor purpura se manterá
"O poeta está vivo" - ele sempre estará
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Tudo o que ainda pode ser
Tudo o que ainda pode ser
é o que me pega e me arrasta,
me faz olhar para onde não conheço.
E eu que só queria um recomeço.
Reconheço que você apertou minha "tecla start"
Já está bem tarde,
e eu continuo a rir,
de palavras que eu nem posso ouvir.
Imaginando os sorrisos que me dizes
Sonhamos juntos momentos felizes
E tudo o que ainda pode ser
Se manifesta em linhas curtas
aqui nesse papel imaginário as escuras.
À luz da lua, ao som da rua, à brisa pura.
A poesia que eu te dou é uma mistura
Do que há de mais simples numa noite de dezembro,
com os meus desejos, meus pensamentos...
Venha compartilhar os sentidos,
venha fazer da fantasia realidade
confeccionaremos verdades,
escrevendo histórias que eles nunca lerão
sobre sorrisos frouxos em um infinito verão
Enquanto begônias exalam perfume e beleza eu proponho
Venha com esse ar risonho
Me toque com os olhos, compartilhe seus sonhos.
sábado, 24 de novembro de 2012
Confusão e poesia
Uma levada me leva pra longe no jazz
Grafites nos papéis, histórias na parede
Um cigarro, uma gaita, uma rede
E as ideias indo e vindo no inconsciente
Sigo consciente do vento que me brisa e me conserva
No espelho observo, reflito e verbalizo o "Ser poeta":
Uma metralhadora humana
Alvejando multidões,
Com versos e flores calando seus canhões
Acho que sou um rei num castelo triste
Ou o profeta mais perdido que existe
Uma criança que põe o dedo médio em riste
Ignora a ignorância desse mundo e resiste.
Alguns abrem o coração
Outros abrem a mente
Eu abro um buraco negro no chão e enterro as minhas correntes
Planto minhas sementes, rego com o que tenho dito
Minhas palavras têm pés, têm asas e sorrisos
O que sou eu além de canalizador do dom?
O que sou além de amplificador do som?
Entro e saio desse caos de Antônios e Antônias
Planto capsulas de fuzil, mas colho begônias
Sou o caos por trás da caneta
E estou perdido em mim mesmo
Nos meus versos me olho nos olhos sem usar espelho
Quero viver em confusão e poesia com alguém
Até que o papel se rasgue e as palavras digam amém.
Grafites nos papéis, histórias na parede
Um cigarro, uma gaita, uma rede
E as ideias indo e vindo no inconsciente
Sigo consciente do vento que me brisa e me conserva
No espelho observo, reflito e verbalizo o "Ser poeta":
Uma metralhadora humana
Alvejando multidões,
Com versos e flores calando seus canhões
Acho que sou um rei num castelo triste
Ou o profeta mais perdido que existe
Uma criança que põe o dedo médio em riste
Ignora a ignorância desse mundo e resiste.
Alguns abrem o coração
Outros abrem a mente
Eu abro um buraco negro no chão e enterro as minhas correntes
Planto minhas sementes, rego com o que tenho dito
Minhas palavras têm pés, têm asas e sorrisos
O que sou eu além de canalizador do dom?
O que sou além de amplificador do som?
Entro e saio desse caos de Antônios e Antônias
Planto capsulas de fuzil, mas colho begônias
Sou o caos por trás da caneta
E estou perdido em mim mesmo
Nos meus versos me olho nos olhos sem usar espelho
Quero viver em confusão e poesia com alguém
Até que o papel se rasgue e as palavras digam amém.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Sozinho; Junto...
Um cigarro queimando entre os dedosUm comichão queimando no peito
Na camiseta o velho Chaplin desbotado
Falando de plateias e palhaços
Tudo a minha volta cheira
A olhos molhados e poeira
E tudo aqui dentro escorre pra fora
Tudo lá fora me olha.
O sofá cochicha com a estante
A cadeira rangendo a todo instante
A janela sussurra uma brisa fria pela sala
Meu violão envergonhado, se cala
Eu não me espanto,
Não falo, não olho, não me levanto
Ouço a memória de seus pés tocando a escada
E prossigo nestas linhas sobre nada.
Ponderando os caprichos do egoísmo
Uma formiga em queda-livre num abismo
Sua falta vem ter comigo esta noite
A mais bela visita de hoje.
sábado, 27 de outubro de 2012
Sorria e finja a demência
Amanhã vamos todos morrer,
Outra vez,
Lentamente.
Como sempre, morreremos nesse evento bienal
Vítimas da banalidade visceral
Dessa democracia unilateral
Não há representação democrática,
Há sim uma
Democracia representativa
Que não pode me representar
Dança passiva
Peça lasciva
A cada ato nos seduz
A apagar a luz
E caminhar na escuridão da ignorância
E você que percebe?
Viva de aparência
Abdique a própria essência
Sorria e finja a demência
Perdi minha decência
Pela sobrevivencia selvagem
Não faço parte da própria sociedade
Não quero mais ser este personagem.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Quem é você?
Você que me olha e não vê
Você que me vê e não repara
Você que me repara para julgar
Você que me julga sem perguntar
Você que pergunta, mas não escuta.
Você que escuta, mas não pensa.
Você que pensa, mas não age.
Você que se perde no turbilhão de acontecimentos da humanidade. Um anônimo
numa das esquinas sem nome do mundo. Separado, junto... Solitário na solidão da
multidão. Vitima do bater de asas de uma borboleta no Japão.
Você que já foi Vossa Mercê, vosmecê
E agora não sabe quem vai ser
(Quem sabe só 'cê'?)
Você que tropeça na solução
Mas só encontra problema
Você precisa parar de me olhar e se ver.
Afinal,
Quem é você?
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Uma constelação de estrelas cadentes
[...] E algumas vezes, no ultimo clarão da noite, ela abria os olhos e olhava pelo buraco no vidro da janela de madeira apodrecida e empoeirada. Fisgava um pedaço da lua, às vezes uma nuvem esfumaçada e via as estrelas imaginando as coisas que um dia ela teria amado se tivesse mais tempo.
Tentava lembrar como era o amor, tentava um distante vislumbre do rosto da mãe ou da barba do pai roçando-lhe a testa. Mas sempre que estavam próximas estas lembranças se escondiam em uma cortina densa de fumaça, um cigarro logo era batido por um punho de ferro. E quando a fumaça se dissipava eram olhos de fogo que lhe sorriam triunfantemente, uma boca com um hálito fétido de cebola e cigarros salivava sobre seu corpo, doentia, mastigando seus sonhos e engolindo seu coração.
Nessa hora àquela dor entre as coxas se intensificava, - quase insuportável - as lágrimas inundavam seus olhos e ela perguntava quem era Deus e porque ela merecia aquilo - pensamentos inocentes demais para um adulto e pesados demais para uma criança -. Ali chorava por horas, até que o dia lhe sorrisse ironicamente e a luz fustigasse seus olhos ressecados, ela os fechava e esperava que o sono lhe tirasse para dançar.
Entre um pulo assustado para fora de um pesadelo e um suspiro dolorido e silencioso ela sonhava com o céu da noite anterior. No sonho ela sentava no colo do pai e contava as estrelas do céu, inventando nomes para todas que ela não conhecia. Ele sempre ia embora no final, e ela sempre se desesperava quando se via sozinha naquele céu negro. As estrelas despencavam aos montes e apagavam a luz. Seu coração apertava e ela acordava sem ar, tendo a certeza que aquelas estrelas que caiam eram seus sonhos de sobreviver àqueles dias.
Sonhos quebrados. Uma constelação de estrelas cadentes.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Prólogo de Linhas no escuro (parte 1)
Linhas no
escuro (parte um)
Garoa fina na
orla, fria, densa e cortante. Havia histórias agonizando no meio fio enlameado,
e ideias livres pela memória. Se esbarrando. Se misturando.
Sem caneta.
Sem papel.
Uma tarde era pouca para tantos
sentimentos. E tantos não caberiam em uma semana normal. Eu precisava contar
uma história que eu não gostaria de saber. Sobre, dentre outras coisas.
Uma criança.
Uma fazenda em que chovia o ano
inteiro.
Um homem com olhos de fogo.
Uma porção de livros com selo da
biblioteca da cidade.
Um golpe repentino de má sorte e
em um segundo você começa a cair em desgraça. É assim que funciona. É sempre
assim que começa. Uma risada descontrolada no banco traseiro, um sol amarelo e
triunfante em um céu azul e nuvens de seda. De repente um louco, um suicida. O
asfalto rabiscado pelos pneus desesperados. Gritos de mamãe. Gritos de papai.
Gritos de menina. Os pneus. Três sulcos na terra quente. Gritos de menina de
novo. E depois. Nada.
Um suicídio.
Dois homicídios.
É assim começa e é assim que vai
acabar. Não necessariamente na mesma ordem.
Um suicida em pedaços
distribuídos irregularmente pela estrada. E o carro como um animal ferido, com
as quatro patas para cima, tossindo num canto esburacado da estrada. Uma
desgraça iniciando outra desgraça. Uma longa risada para iniciar um calvário.
Eu me pergunto porquê é sempre assim? A única resposta que me deram foi:
“A vida é irônica. Quando menos
se espera ela acaba” - de uma menina de quatorze anos com um coração de
sessenta.
Ela é Ágata Belina, essas são as
“Linhas no escuro”.
Prólogo de Linhas no escuro (parte 2)
As confissões do Sonhador
A tarde continuava cinzenta, a
garoa caia como um chuvisco de televisão no horizonte. Bob Dylan, café e
cigarros e nada ainda fazia sentido. Quem eu havia me tornado? Eu riria da
minha cara se me visse assim há um ano. De ladrão de casas a doador de livros.
Muito havia mudado desde quando nas primeiras horas da madrugada ela entrava no
meu quarto, e me entregava uma história. Uma versão que ninguém conhecia do
conto mais triste, e cruel, e bonito que eu já ouvi falar. Quando me lembro
desse dia sempre vejo a imagem dela na beira da minha cama de costas para mim,
a vela queimando o quarto inteiro, a sombra de uma cadeira flutuando na parede e as palavras sendo entregues a mim em forma
de punhais que ela mesma forjava e distribuía.
E depois um pedido, uma súplica.
Eu não pude negar. E mesmo se não prometesse não seria capaz fazer de novo. Uma
menina de quatorze anos me fez confessar o que nem 4 horas de interrogatório
conseguiram. Eu era sim um ladrão, e eu já quase havia matado alguém. De
repente soluços, ela não estava chorando. Não ela não chora. Eram meus.
...
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Estilhaços de verbo
Meu peito apertou quando você não disse
Quando você sumiu e na sua ausência eu te senti presente
Você levou meia frase mordida
A outra metade eu ainda mastigava, tinha gosto de ferro
E oxidava depressa.
Meu coração foi esmagado pelos próprios batimentos
Minha mão esquerda tremeu
Eu sorri um sorriso epilético e sussurrei: preciso escrever
Você que volte aqui,
Te direi as melhores que eu tiver
Antes mesmo que as suas mentiras caiam nos meus pés
Mortas, inúteis e ridículas
Falsas como são as mentiras perante a verdade
Eu cuspirei o resto da frase no seu rosto
E ela vai te agarrar pelo pescoço
E vai esbofetar seu coração
Isso se você voltar, e quando voltar
Enquanto isso algumas palavras oxidam na minha boca
Algumas ideias fervem no meu peito
São coisas que não vou dizer
Momentos que não vão acontecer.
Quando você sumiu e na sua ausência eu te senti presente
Você levou meia frase mordida
A outra metade eu ainda mastigava, tinha gosto de ferro
E oxidava depressa.
Meu coração foi esmagado pelos próprios batimentos
Minha mão esquerda tremeu
Eu sorri um sorriso epilético e sussurrei: preciso escrever
Você que volte aqui,
Te direi as melhores que eu tiver
Antes mesmo que as suas mentiras caiam nos meus pés
Mortas, inúteis e ridículas
Falsas como são as mentiras perante a verdade
Eu cuspirei o resto da frase no seu rosto
E ela vai te agarrar pelo pescoço
E vai esbofetar seu coração
Isso se você voltar, e quando voltar
Enquanto isso algumas palavras oxidam na minha boca
Algumas ideias fervem no meu peito
São coisas que não vou dizer
Momentos que não vão acontecer.
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