quarta-feira, 4 de julho de 2012

Mergulhados nesse absurdo


Quando eu saí do seu mundo
Depois de tanto tempo, corri
Acelerei durante vários minutos
Sem olhar o caminho
Entrando em ruas que eu sempre quis conhecer
E em todas as esquinas encontrando você

Com os olhos colados no chão
Vi que as marcas das minhas lágrimas já estavam lá
E as pisava, vermelhas como meus olhos
Com cheiro do meu sangue
Guiando meu caminho.


Mais que palavras foi o que você me deu
E eu, não vi que as verdades
Se amontoaram nos cantos da casa
Prontas para serem descobertas
Cobertas de poeira numa próxima faxina sentimental


Eu digo 'e se', você diz que é 'só'
Me mergulhei nesse absurdo e sobrevivo
Faço votos verdadeiros que eu não gostaria de fazer
O poeta perdeu sua musa quando as estrelas caíram do céu
Eu perdi meu sorriso, quando meu céu caiu sobre mim



segunda-feira, 25 de junho de 2012

3 acordes


Por que eu vivo de rimas
E não sei cantar livre
Me prendo sempre em analogias
Em frases quase infelizes

Trazendo sempre um peso
Em tudo o que eu posso descrever
E hoje tudo o que eu vejo
É o que eu não consegui ser

Vou devagar 
Destruo alguns versos no caminho
Me pego num clichê sozinho
Usual, trivial e pegajoso

Me vejo agarrado a 3 acordes
Limpos, conformáveis, confortáveis
Refrão-verso-refrão
Tenho nojo

Mas quando a lua uivar para você
Eu serei o garoto solitário de sempre
Eternamente mastigando a verdade
Cantando canções sobre saudade

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Nas sarjetas da Central (a miséria da poesia)

Que poesia há na sarjeta?
Das calçadas que você brota
Ao jardim em que floresce
Há muitas respostas entre mendigos e transeuntes

Nas sarjetas da Central do Brasil
Eu sou o lixo, eu sou a sombra, eu sou o pó
Eu sou a verdade que ninguém quis ver
No seu subconsciente eu sou você

Olhando para cima você nunca me verá
Pois no chão que você pisa eu deito
Mas saiba que o ciclo não termina em você
E que minha miséria, um dia, atingirá seu peito.



terça-feira, 19 de junho de 2012

Castanho

São tão grandes, tão curiosos,
Tão escuros, porém tão verdadeiros
Como um par de jóias raras,
Brilhantes e inquebráveis
Às vezes confusos, esguios,
Às vezes fiéis , fixos
Sempre intensos!

Me corta o coração vê-los molhados
E eu, que já os vi encharcados...
De dor e de saudade
Também já os vi quentes,
Flamejantes de amor ou de ódio
É um pecado deixa-los fechados

Como uma tempestade
Vêm e invade minha alma
Queimando-a por inteiro
Queimando-me vivo

Quando vai embora
O sol vai junto
Minha mente desliza por aí
Seus olhos já não olham para mim.


Atrás de você


O ambiente é quente
Como uma usina à vapor
As silhuetas dançam no horizonte
Onde você se esconde?

Durma bem,
Viva bem
Veja flores onde estiver
Ó meu bem!

Ao menos agora você pode ser você
Viva bem, é só querer
E agora sem você todos os dias
Nascer, dormir, morrer...

Abra os olhos e não me veja
Eu fecho os olhos e te canto
Parece tão perto mas já faz tanto tempo
Eu lamento, palheto forte, desencanto

Tire o seu jeans de baixo do seu allstar
E continue a caminhar
Indestrutível, irredutível
Impossível de amar

Viva bem
Eu bem sobrevivo
Durma bem,
Ó meu bem!

















terça-feira, 29 de maio de 2012

A vida é simples na lua

É, você estava tão certa
A vida é tão simples na lua
Longe dessa superfície burocrática
Cheia de tolos e pobres

Eu sei, cratera
Você é tão vazia quanto ela

Sim, você estava certa
A Terra já não é tão bela
Vista da lua, entre a poeira e fumaça
Legiões de miseráveis livres

Eles já nem olham para o céu
seus fantasmas já olham nos seus olhos

Não falta-lhes comida
Não falta-lhes dinheiro
Falta-lhes coração
Falta-lhes fé

Somos ativos de um genocídio inconsciente
Somos vítimas dos próprios preconceitos
O fantasma que nos assola não tem armas
Não tem pés, não tem mãos, não tem língua

Nós temos TV
Nós temos um Estado democrático e livre
Nós podemos comprar o que quiser se tivermos dinheiro
Nós temos o direito
Mas nós nem sabemos direito...

Então por que a Lua é tão mais bela?

O que nos faz feliz é o que nos aprisiona
A nossa riqueza pisa em alguns cadáveres
Nossa sublime inversão de valores

A vida é simples na lua, sim
É isso que a noite tem a dizer.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Até mais, borboleta


Não vim pedir perdão
É, não vim!
Mas no fim
Acabarei pedindo sim.

Mas por quê?
Quem mentiu foi você
Se arrependeu
Mas é facil se arrepender

Seus olhos ainda se perdem no passado?
Eu não volto mais lá
E se voltar
Não quero mais te encontrar.

Você diz que o tempo parou
Parou pra você que não viveu
O tempo voou
Para meu coração que amou

Fui amado
Fui curado
Revivi
E te vi
Sim meu coração se aqueceu

Palpitou
E eu então palpitei que passaria,
Passou...

Adeus, borboleta!

terça-feira, 1 de maio de 2012

All Star e jeans velho

Enquanto o mundo desmorona eu me levanto,
Forças para falar de um velho sonho.
Que me visita toda vez que abro os olhos
E que fica mais intenso quando o ignoro

Eu sou a cada dia menos invencível
Sou a cada esquina mais invisível
O mundo é incompreensível
A revolta é cada vez mais sensível

Imprevisível
Quando o som arrepia minha pele
Quando a mensagem abre meus olhos
E minha mente acelera por aí

Eu era indestrutível
Agora penso duas vezes antes de agir
Eu já não toco minha guitarra tão bem
Mas seu som ainda me faz sorrir

Então vá embora com sua corrente
Eu sonho em ser livre de novo
Eu preciso de mais solos e menos versos
Eu preciso de All Star e jeans velhos

Eu cansei de ser sociedade
E viver um sonho comum
Eu percebi que corri por muito tempo
Mas não cheguei a lugar nenhum.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pense bem

Eu quero esquecer
Quero esquecer e escrever
Quero escrever e dizer
Quero dizer e convencer

Pense bem...

Nós estamos nascendo
Ou começando a morrer?

Eu não quero crescer
Não quero crescer e vencer
Não quero vencer nem convencer
Só quero viver e esperar

Pense bem
É preciso ter fé
As vezes só é preciso caminhar
Mesmo sem saber onde se quer chegar

Não me diga que os bons tempos passaram depressa demais
Não me diga que é um momento doloroso
Somente agradeça por fechar os olhos
E estar viva para abri-los de novo

Mesmo que a primeira lágrima tenha caído
Pense bem
Às vezes você só precisa pensar bem.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Não há solidão na loucura

A lua me chama hoje, eu tento evitá-la. Me sinto vazio, sei que a noite não me completaria por mais que me seduza. Tenho a brisa como uma caricia, sinto uma umidade aqui e ali. Acho que é a noite a me beijar, mas continuo frio.
Falta alguma coisa... Alguma coisa no meu café,  ou no cigarro talvez. Alguma coisa que eu não sei o nome, mas que faz toda diferença, que dá todo o prazer. Eu poderia estar feliz, mas não estou. Eu poderia estar feliz, mas eu nem saberia se estivesse. Afinal nada muda no café e no cigarro. Nada muda numa noite de verão.
Ainda sim, a lua continua a me olhar com olhos grandes, implorando para que eu abra os meus e pare de olhar para dentro de mim mesmo.
Me recomponho. As sarjetas me sorriem. Elas parecem limpas hoje. Como num último sarcasmo alguém quer me dizer que eu estou louco mas não sabe como. Eu quero dizer que não estou, mas não sei a quem.
Preciso terminar isso antes que me olhe no espelho e não me reconheça. Antes que você me olhe e me enlouqueça me chamando para fugir daqui. Não vá embora - eu apenas digo. Preciso de você no meu manicômio.