sexta-feira, 22 de junho de 2012
Nas sarjetas da Central (a miséria da poesia)
Das calçadas que você brota
Ao jardim em que floresce
Há muitas respostas entre mendigos e transeuntes
Nas sarjetas da Central do Brasil
Eu sou o lixo, eu sou a sombra, eu sou o pó
Eu sou a verdade que ninguém quis ver
No seu subconsciente eu sou você
Olhando para cima você nunca me verá
Pois no chão que você pisa eu deito
Mas saiba que o ciclo não termina em você
E que minha miséria, um dia, atingirá seu peito.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Castanho
Atrás de você
O ambiente é quente
Como uma usina à vapor
As silhuetas dançam no horizonte
Onde você se esconde?
Durma bem,
Viva bem
Veja flores onde estiver
Ó meu bem!
Ao menos agora você pode ser você
Viva bem, é só querer
E agora sem você todos os dias
Nascer, dormir, morrer...
Abra os olhos e não me veja
Eu fecho os olhos e te canto
Parece tão perto mas já faz tanto tempo
Eu lamento, palheto forte, desencanto
Tire o seu jeans de baixo do seu allstar
E continue a caminhar
Indestrutível, irredutível
Impossível de amar
Viva bem
Eu bem sobrevivo
Durma bem,
Ó meu bem!
terça-feira, 29 de maio de 2012
A vida é simples na lua
A vida é tão simples na luaLonge dessa superfície burocrática
Cheia de tolos e pobres
Eu sei, cratera
Você é tão vazia quanto ela
Sim, você estava certa
A Terra já não é tão bela
Vista da lua, entre a poeira e fumaça
Legiões de miseráveis livres
Eles já nem olham para o céu
seus fantasmas já olham nos seus olhos
Não falta-lhes comida
Não falta-lhes dinheiro
Falta-lhes coração
Falta-lhes fé
Somos ativos de um genocídio inconsciente
Somos vítimas dos próprios preconceitos
O fantasma que nos assola não tem armas
Não tem pés, não tem mãos, não tem língua
Nós temos TV
Nós temos um Estado democrático e livre
Nós podemos comprar o que quiser se tivermos dinheiro
Nós temos o direito
Mas nós nem sabemos direito...
Então por que a Lua é tão mais bela?
O que nos faz feliz é o que nos aprisiona
A nossa riqueza pisa em alguns cadáveres
Nossa sublime inversão de valores
A vida é simples na lua, sim
É isso que a noite tem a dizer.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Até mais, borboleta

Não vim pedir perdão
É, não vim!
Mas no fim
Acabarei pedindo sim.
Mas por quê?
Quem mentiu foi você
Se arrependeu
Mas é facil se arrepender
Seus olhos ainda se perdem no passado?
Eu não volto mais lá
E se voltar
Não quero mais te encontrar.
Você diz que o tempo parou
Parou pra você que não viveu
O tempo voou
Para meu coração que amou
Fui amado
Fui curado
Revivi
E te vi
Sim meu coração se aqueceu
Palpitou
E eu então palpitei que passaria,
Passou...
Adeus, borboleta!
terça-feira, 1 de maio de 2012
All Star e jeans velho
Forças para falar de um velho sonho.
Que me visita toda vez que abro os olhos
E que fica mais intenso quando o ignoro
Eu sou a cada dia menos invencível
Sou a cada esquina mais invisível
O mundo é incompreensível
A revolta é cada vez mais sensível
Imprevisível
Quando o som arrepia minha pele
Quando a mensagem abre meus olhos
E minha mente acelera por aí
Eu era indestrutível
Agora penso duas vezes antes de agir
Eu já não toco minha guitarra tão bem
Mas seu som ainda me faz sorrir
Então vá embora com sua corrente
Eu sonho em ser livre de novo
Eu preciso de mais solos e menos versos
Eu preciso de All Star e jeans velhos
Eu cansei de ser sociedade
E viver um sonho comum
Eu percebi que corri por muito tempo
Mas não cheguei a lugar nenhum.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Pense bem
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Não há solidão na loucura
Falta alguma coisa... Alguma coisa no meu café, ou no cigarro talvez. Alguma coisa que eu não sei o nome, mas que faz toda diferença, que dá todo o prazer. Eu poderia estar feliz, mas não estou. Eu poderia estar feliz, mas eu nem saberia se estivesse. Afinal nada muda no café e no cigarro. Nada muda numa noite de verão.
Ainda sim, a lua continua a me olhar com olhos grandes, implorando para que eu abra os meus e pare de olhar para dentro de mim mesmo.
Me recomponho. As sarjetas me sorriem. Elas parecem limpas hoje. Como num último sarcasmo alguém quer me dizer que eu estou louco mas não sabe como. Eu quero dizer que não estou, mas não sei a quem.
Preciso terminar isso antes que me olhe no espelho e não me reconheça. Antes que você me olhe e me enlouqueça me chamando para fugir daqui. Não vá embora - eu apenas digo. Preciso de você no meu manicômio.
terça-feira, 20 de março de 2012
Amplificadores da paz
"As crianças não estão bem"
Gritaram nos meus ouvidos
Os filhos da revolução morreram
A geração agora é coca, somente.
Eu estou num transe
Num sonho indecente de felicidade
Num devaneio desesperado
E talvez eu me salve por isso
Vejo-os marcharem
Munição e armas
Correndo para outros rapazes
Que também não sabem aonde vão
Vejo-os sangrarem
Logotipos e siglas
Falanges e facções
Disparos e palavrões
Enquanto isso, garrafas douradas estouram na orla
Eles nos ignoram, ignoram nossa luta
O sol escaldante não descongela seus corações
Mas mantém os nossos acesos
Ninguém sabe, mas...
O assaltante tem tudo a ver com o assaltado
Assim como o futuro está ligado ao passado
E o erro nos acerta toda vez
Cada um faz sua trégua como pode
Cada um faz sua estrada como quer
E eu escolho a paz da arte
O som da revolta e o sangue nas veias
O hardcore cura minha pobreza cultural
Enquanto eu escrevo minha revolta
Em meio a estilhaços e verdades forjadas
Nós somos os amplificadores da paz.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Come On
Quando embarcamos não sabemos onde ir. Nós não levamos nada, não fazemos contagem regressiva. Nós simplesmente nos tocamos. Nós simplesmente vamos.Nosso combustível transcende a pele, dilata os poros, ganha o ar, incendeia o recinto. A noite pára para nos ver queimar. Glória rubra nos olhos, enquanto a luz amarela invade a janela e deixa minha pele da cor da sua. Agora... vai... É! Somos um só. Somos pele, calor e suor. Meus ouvidos já escutam os sussurros que sua boca não diz. Você é língua, dentes, lábios. Eu sou olhos, pernas, braços. Você é elétrica... Sim. Eu posso ser elétrico também.
É mais que só sexo, é mais que amor. É como um rito sagrado numa noite de verão. Calor e Tempestade: somos dois deuses pagãos.
Vamos lá! Estamos quase lá. Eu me sinto no controle, você se sente supersônica. Você tem as asas e eu quero voar.




