terça-feira, 29 de maio de 2012

A vida é simples na lua

É, você estava tão certa
A vida é tão simples na lua
Longe dessa superfície burocrática
Cheia de tolos e pobres

Eu sei, cratera
Você é tão vazia quanto ela

Sim, você estava certa
A Terra já não é tão bela
Vista da lua, entre a poeira e fumaça
Legiões de miseráveis livres

Eles já nem olham para o céu
seus fantasmas já olham nos seus olhos

Não falta-lhes comida
Não falta-lhes dinheiro
Falta-lhes coração
Falta-lhes fé

Somos ativos de um genocídio inconsciente
Somos vítimas dos próprios preconceitos
O fantasma que nos assola não tem armas
Não tem pés, não tem mãos, não tem língua

Nós temos TV
Nós temos um Estado democrático e livre
Nós podemos comprar o que quiser se tivermos dinheiro
Nós temos o direito
Mas nós nem sabemos direito...

Então por que a Lua é tão mais bela?

O que nos faz feliz é o que nos aprisiona
A nossa riqueza pisa em alguns cadáveres
Nossa sublime inversão de valores

A vida é simples na lua, sim
É isso que a noite tem a dizer.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Até mais, borboleta


Não vim pedir perdão
É, não vim!
Mas no fim
Acabarei pedindo sim.

Mas por quê?
Quem mentiu foi você
Se arrependeu
Mas é facil se arrepender

Seus olhos ainda se perdem no passado?
Eu não volto mais lá
E se voltar
Não quero mais te encontrar.

Você diz que o tempo parou
Parou pra você que não viveu
O tempo voou
Para meu coração que amou

Fui amado
Fui curado
Revivi
E te vi
Sim meu coração se aqueceu

Palpitou
E eu então palpitei que passaria,
Passou...

Adeus, borboleta!

terça-feira, 1 de maio de 2012

All Star e jeans velho

Enquanto o mundo desmorona eu me levanto,
Forças para falar de um velho sonho.
Que me visita toda vez que abro os olhos
E que fica mais intenso quando o ignoro

Eu sou a cada dia menos invencível
Sou a cada esquina mais invisível
O mundo é incompreensível
A revolta é cada vez mais sensível

Imprevisível
Quando o som arrepia minha pele
Quando a mensagem abre meus olhos
E minha mente acelera por aí

Eu era indestrutível
Agora penso duas vezes antes de agir
Eu já não toco minha guitarra tão bem
Mas seu som ainda me faz sorrir

Então vá embora com sua corrente
Eu sonho em ser livre de novo
Eu preciso de mais solos e menos versos
Eu preciso de All Star e jeans velhos

Eu cansei de ser sociedade
E viver um sonho comum
Eu percebi que corri por muito tempo
Mas não cheguei a lugar nenhum.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pense bem

Eu quero esquecer
Quero esquecer e escrever
Quero escrever e dizer
Quero dizer e convencer

Pense bem...

Nós estamos nascendo
Ou começando a morrer?

Eu não quero crescer
Não quero crescer e vencer
Não quero vencer nem convencer
Só quero viver e esperar

Pense bem
É preciso ter fé
As vezes só é preciso caminhar
Mesmo sem saber onde se quer chegar

Não me diga que os bons tempos passaram depressa demais
Não me diga que é um momento doloroso
Somente agradeça por fechar os olhos
E estar viva para abri-los de novo

Mesmo que a primeira lágrima tenha caído
Pense bem
Às vezes você só precisa pensar bem.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Não há solidão na loucura

A lua me chama hoje, eu tento evitá-la. Me sinto vazio, sei que a noite não me completaria por mais que me seduza. Tenho a brisa como uma caricia, sinto uma umidade aqui e ali. Acho que é a noite a me beijar, mas continuo frio.
Falta alguma coisa... Alguma coisa no meu café,  ou no cigarro talvez. Alguma coisa que eu não sei o nome, mas que faz toda diferença, que dá todo o prazer. Eu poderia estar feliz, mas não estou. Eu poderia estar feliz, mas eu nem saberia se estivesse. Afinal nada muda no café e no cigarro. Nada muda numa noite de verão.
Ainda sim, a lua continua a me olhar com olhos grandes, implorando para que eu abra os meus e pare de olhar para dentro de mim mesmo.
Me recomponho. As sarjetas me sorriem. Elas parecem limpas hoje. Como num último sarcasmo alguém quer me dizer que eu estou louco mas não sabe como. Eu quero dizer que não estou, mas não sei a quem.
Preciso terminar isso antes que me olhe no espelho e não me reconheça. Antes que você me olhe e me enlouqueça me chamando para fugir daqui. Não vá embora - eu apenas digo. Preciso de você no meu manicômio.

terça-feira, 20 de março de 2012

Amplificadores da paz

"As crianças não estão bem"

Gritaram nos meus ouvidos

Os filhos da revolução morreram

A geração agora é coca, somente.


 

Eu estou num transe

Num sonho indecente de felicidade

Num devaneio desesperado

E talvez eu me salve por isso


 

Vejo-os marcharem

Munição e armas

Correndo para outros rapazes

Que também não sabem aonde vão


 

Vejo-os sangrarem

Logotipos e siglas

Falanges e facções

Disparos e palavrões


 

Enquanto isso, garrafas douradas estouram na orla

Eles nos ignoram, ignoram nossa luta

O sol escaldante não descongela seus corações

Mas mantém os nossos acesos


 

Ninguém sabe, mas...

O assaltante tem tudo a ver com o assaltado

Assim como o futuro está ligado ao passado

E o erro nos acerta toda vez


 

Cada um faz sua trégua como pode

Cada um faz sua estrada como quer

E eu escolho a paz da arte

O som da revolta e o sangue nas veias


 

O hardcore cura minha pobreza cultural

Enquanto eu escrevo minha revolta

Em meio a estilhaços e verdades forjadas

Nós somos os amplificadores da paz.


 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Come On

Quando embarcamos não sabemos onde ir. Nós não levamos nada, não fazemos contagem regressiva. Nós simplesmente nos tocamos. Nós simplesmente vamos.
Nosso combustível transcende a pele, dilata os poros, ganha o ar, incendeia o recinto. A noite pára para nos ver queimar. Glória rubra nos olhos, enquanto a luz amarela invade a janela e deixa minha pele da cor da sua. Agora... vai... É! Somos um só. Somos pele, calor e suor. Meus ouvidos já escutam os sussurros que sua boca não diz. Você é língua, dentes, lábios. Eu sou olhos, pernas, braços. Você é elétrica... Sim. Eu posso ser elétrico também.

É mais que só sexo, é mais que amor. É como um rito sagrado numa noite de verão. Calor e Tempestade: somos dois deuses pagãos.

Vamos lá! Estamos quase lá. Eu me sinto no controle, você se sente supersônica. Você tem as asas e eu quero voar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O instante entre a luz e a escuridão


Um poema me corrói há dias

Eu tenho medo de escrevê-lo

Não sei do que se trata

Por bem, queria esquecê-lo


 

Os pensamentos se misturam

Ao mesmo tempo eu não penso nada penso tudo

Quando faço uma introspecção

Dou a volta ao mundo


 

Me encontro frio e me disperso

Posso ser uma canção,

Posso ser o mundo se eu quiser

Mas não sei muito bem como funciona isso


 

Só sei que as palavras me vêm

Certo como entre a luz e a escuridão está o crepúsculo

O vento sopra e o momento mágico acontece

Coisa que só se registra com a alma.


 

Tálison Vasques

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Quem matou minha juventude?

O ar pesa nas narinas,

A música feri os ouvidos

E as fotografias que eu mastigo

Arranham minha garganta ao engolir


 

Será loucura ouvir vozes em fotografias?

Sentir a brisa quente daqueles dias

Aqueles dias em que tudo era novo

Mas agora me falta o frio na barriga da primeira vez


 

Naqueles dias eu pegaria no fuzil e lutaria ao seu lado

E não só torceria por você

A nossa loucura era a nossa verdade

E eu nunca mais serei tão louco de amor pela justiça


 

E Agora que eu vejo tudo desmoronar?

Nesses dias que garotos largam cadernos e empunham fuzis

Agora que a nossa fé e a decência se foram

Se sente a presença de "deus" nas notas de cem


 

Eu esvazio os bolsos e pergunto

Onde nós estamos agora?

Onde está o ideal e o tal futuro da nação?

Onde estão as promessas e nossa astúcia?


 

Quem matou minha juventude?

Que eu vou matar sua ganancia

Alguém quebrou meu espirito

E eu preciso consertar.


 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O vento e a flor

Segure minhas mãos com os olhos de novo

E deixe que eu capture suas palavras com meus ouvidos

Este mundo não nos pertence

E o que nos une não pertence a este mundo


 

Escute o que os primeiros ventos da primavera têm a dizer

São eles os amantes das primeiras flores

Que levam o melhor delas

Para crescer na terra ao longe


 

E eu que descia o rio sozinho

Agradeço agora ao sol pela boa nova

O amor chegou para mim

E eu cheguei a terra prometida de que os poetas falavam


 

Os primeiros ventos da primavera

Trouxeram a sua semente ao meu coração

E você minha flor, vive em mim

E eu me vejo vivo em seus olhos


 

Eu te prometo que todos os dias perseguiremos o sol

E todas as noites perseguirei as estrelas que caem para te dar

Em todas as flores te encontrarei

Em todos os ventos me sentirás