segunda-feira, 30 de abril de 2012
Pense bem
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Não há solidão na loucura
Falta alguma coisa... Alguma coisa no meu café, ou no cigarro talvez. Alguma coisa que eu não sei o nome, mas que faz toda diferença, que dá todo o prazer. Eu poderia estar feliz, mas não estou. Eu poderia estar feliz, mas eu nem saberia se estivesse. Afinal nada muda no café e no cigarro. Nada muda numa noite de verão.
Ainda sim, a lua continua a me olhar com olhos grandes, implorando para que eu abra os meus e pare de olhar para dentro de mim mesmo.
Me recomponho. As sarjetas me sorriem. Elas parecem limpas hoje. Como num último sarcasmo alguém quer me dizer que eu estou louco mas não sabe como. Eu quero dizer que não estou, mas não sei a quem.
Preciso terminar isso antes que me olhe no espelho e não me reconheça. Antes que você me olhe e me enlouqueça me chamando para fugir daqui. Não vá embora - eu apenas digo. Preciso de você no meu manicômio.
terça-feira, 20 de março de 2012
Amplificadores da paz
"As crianças não estão bem"
Gritaram nos meus ouvidos
Os filhos da revolução morreram
A geração agora é coca, somente.
Eu estou num transe
Num sonho indecente de felicidade
Num devaneio desesperado
E talvez eu me salve por isso
Vejo-os marcharem
Munição e armas
Correndo para outros rapazes
Que também não sabem aonde vão
Vejo-os sangrarem
Logotipos e siglas
Falanges e facções
Disparos e palavrões
Enquanto isso, garrafas douradas estouram na orla
Eles nos ignoram, ignoram nossa luta
O sol escaldante não descongela seus corações
Mas mantém os nossos acesos
Ninguém sabe, mas...
O assaltante tem tudo a ver com o assaltado
Assim como o futuro está ligado ao passado
E o erro nos acerta toda vez
Cada um faz sua trégua como pode
Cada um faz sua estrada como quer
E eu escolho a paz da arte
O som da revolta e o sangue nas veias
O hardcore cura minha pobreza cultural
Enquanto eu escrevo minha revolta
Em meio a estilhaços e verdades forjadas
Nós somos os amplificadores da paz.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Come On
Quando embarcamos não sabemos onde ir. Nós não levamos nada, não fazemos contagem regressiva. Nós simplesmente nos tocamos. Nós simplesmente vamos.Nosso combustível transcende a pele, dilata os poros, ganha o ar, incendeia o recinto. A noite pára para nos ver queimar. Glória rubra nos olhos, enquanto a luz amarela invade a janela e deixa minha pele da cor da sua. Agora... vai... É! Somos um só. Somos pele, calor e suor. Meus ouvidos já escutam os sussurros que sua boca não diz. Você é língua, dentes, lábios. Eu sou olhos, pernas, braços. Você é elétrica... Sim. Eu posso ser elétrico também.
É mais que só sexo, é mais que amor. É como um rito sagrado numa noite de verão. Calor e Tempestade: somos dois deuses pagãos.
Vamos lá! Estamos quase lá. Eu me sinto no controle, você se sente supersônica. Você tem as asas e eu quero voar.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
O instante entre a luz e a escuridão
Um poema me corrói há dias
Eu tenho medo de escrevê-lo
Não sei do que se trata
Por bem, queria esquecê-lo
Os pensamentos se misturam
Ao mesmo tempo eu não penso nada penso tudo
Quando faço uma introspecção
Dou a volta ao mundo
Me encontro frio e me disperso
Posso ser uma canção,
Posso ser o mundo se eu quiser
Mas não sei muito bem como funciona isso
Só sei que as palavras me vêm
Certo como entre a luz e a escuridão está o crepúsculo
O vento sopra e o momento mágico acontece
Coisa que só se registra com a alma.
Tálison Vasques
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Quem matou minha juventude?
O ar pesa nas narinas,
A música feri os ouvidos
E as fotografias que eu mastigo
Arranham minha garganta ao engolir
Será loucura ouvir vozes em fotografias?
Sentir a brisa quente daqueles dias
Aqueles dias em que tudo era novo
Mas agora me falta o frio na barriga da primeira vez
Naqueles dias eu pegaria no fuzil e lutaria ao seu lado
E não só torceria por você
A nossa loucura era a nossa verdade
E eu nunca mais serei tão louco de amor pela justiça
E Agora que eu vejo tudo desmoronar?
Nesses dias que garotos largam cadernos e empunham fuzis
Agora que a nossa fé e a decência se foram
Se sente a presença de "deus" nas notas de cem
Eu esvazio os bolsos e pergunto
Onde nós estamos agora?
Onde está o ideal e o tal futuro da nação?
Onde estão as promessas e nossa astúcia?
Quem matou minha juventude?
Que eu vou matar sua ganancia
Alguém quebrou meu espirito
E eu preciso consertar.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O vento e a flor
Segure minhas mãos com os olhos de novo
E deixe que eu capture suas palavras com meus ouvidos
Este mundo não nos pertence
E o que nos une não pertence a este mundo
Escute o que os primeiros ventos da primavera têm a dizer
São eles os amantes das primeiras flores
Que levam o melhor delas
Para crescer na terra ao longe
E eu que descia o rio sozinho
Agradeço agora ao sol pela boa nova
O amor chegou para mim
E eu cheguei a terra prometida de que os poetas falavam
Os primeiros ventos da primavera
Trouxeram a sua semente ao meu coração
E você minha flor, vive em mim
E eu me vejo vivo em seus olhos
Eu te prometo que todos os dias perseguiremos o sol
E todas as noites perseguirei as estrelas que caem para te dar
Em todas as flores te encontrarei
Em todos os ventos me sentirás
sábado, 17 de setembro de 2011
Novo
Eu poderia mergulhar e não voltar na sua falta
Eu poderia derrubar lágrimas
Encher a piscina negra dos seus olhos
Com meu sangue e meu amor
Eu gostaria de velar teu sono todas a noites
E ser sua primeira visão todos os dias
Quando escrevi nossa história na areia
A agua do mar não levou
E nosso castelo continua intacto até qualquer dia
Eu te vi no meu melhor sonho de menino
E você me veio como janeiro
Forte, confiante, quente e fraterno
Anunciando um novo tempo
Um novo amor
A nossa paz.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
O chamado da manhã de domingo
Deixe a noite acontecer
Deixe o céu encher seus olhos de estrelas
Deixe-me sutilmente brilhar com você
E pela manhã não saber o que fazer
Deixa a vida acontecer um pouco
Mas sinta que ela passe e consinta
Não finja, não morra por desuso da vida
A manhã de domingo te fará feliz, querida
O covarde não vive e morre no fim
Mas você que sempre joga e nunca ganha aprende
Ama-me e eu espero te fazer ganhar na próxima vez
Procurar-te-ei nos versos que escreveste
Alcançar-te-ei pelas palavras que disseste
Abraçar-te-ei e sentirei a falta de ter-te tendo-te
E assim lhe ensinarei uns paradigmas
Seremos um só, numa nova lua
E esperaremos o velho sol de domingo chegar.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Deslize noite adentro
Minha boca toca sutilmente o seu corpo
Enquanto sua mão docemente desliza
Eu gostaria de estar fora do meu corpo
Para gravar esse momento na memória
E ter a impressão que a vida é para sempre
Se vivermos sempre assim
Eu esperaria um verão eterno só para te ver sorrir
Mas é nas noites de inverno que você me vem
E sempre vai encontrar meu abraço ao chegar
Ah, se todas as noites fossem frias como essa
Se todas as luas te guiassem até a mim
Nós deslizaríamos noite adentro rumo ao sol
Mas desejando que a noite nunca acabasse
Que isso nunca acabasse.

