terça-feira, 20 de março de 2012

Amplificadores da paz

"As crianças não estão bem"

Gritaram nos meus ouvidos

Os filhos da revolução morreram

A geração agora é coca, somente.


 

Eu estou num transe

Num sonho indecente de felicidade

Num devaneio desesperado

E talvez eu me salve por isso


 

Vejo-os marcharem

Munição e armas

Correndo para outros rapazes

Que também não sabem aonde vão


 

Vejo-os sangrarem

Logotipos e siglas

Falanges e facções

Disparos e palavrões


 

Enquanto isso, garrafas douradas estouram na orla

Eles nos ignoram, ignoram nossa luta

O sol escaldante não descongela seus corações

Mas mantém os nossos acesos


 

Ninguém sabe, mas...

O assaltante tem tudo a ver com o assaltado

Assim como o futuro está ligado ao passado

E o erro nos acerta toda vez


 

Cada um faz sua trégua como pode

Cada um faz sua estrada como quer

E eu escolho a paz da arte

O som da revolta e o sangue nas veias


 

O hardcore cura minha pobreza cultural

Enquanto eu escrevo minha revolta

Em meio a estilhaços e verdades forjadas

Nós somos os amplificadores da paz.


 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Come On

Quando embarcamos não sabemos onde ir. Nós não levamos nada, não fazemos contagem regressiva. Nós simplesmente nos tocamos. Nós simplesmente vamos.
Nosso combustível transcende a pele, dilata os poros, ganha o ar, incendeia o recinto. A noite pára para nos ver queimar. Glória rubra nos olhos, enquanto a luz amarela invade a janela e deixa minha pele da cor da sua. Agora... vai... É! Somos um só. Somos pele, calor e suor. Meus ouvidos já escutam os sussurros que sua boca não diz. Você é língua, dentes, lábios. Eu sou olhos, pernas, braços. Você é elétrica... Sim. Eu posso ser elétrico também.

É mais que só sexo, é mais que amor. É como um rito sagrado numa noite de verão. Calor e Tempestade: somos dois deuses pagãos.

Vamos lá! Estamos quase lá. Eu me sinto no controle, você se sente supersônica. Você tem as asas e eu quero voar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O instante entre a luz e a escuridão


Um poema me corrói há dias

Eu tenho medo de escrevê-lo

Não sei do que se trata

Por bem, queria esquecê-lo


 

Os pensamentos se misturam

Ao mesmo tempo eu não penso nada penso tudo

Quando faço uma introspecção

Dou a volta ao mundo


 

Me encontro frio e me disperso

Posso ser uma canção,

Posso ser o mundo se eu quiser

Mas não sei muito bem como funciona isso


 

Só sei que as palavras me vêm

Certo como entre a luz e a escuridão está o crepúsculo

O vento sopra e o momento mágico acontece

Coisa que só se registra com a alma.


 

Tálison Vasques

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Quem matou minha juventude?

O ar pesa nas narinas,

A música feri os ouvidos

E as fotografias que eu mastigo

Arranham minha garganta ao engolir


 

Será loucura ouvir vozes em fotografias?

Sentir a brisa quente daqueles dias

Aqueles dias em que tudo era novo

Mas agora me falta o frio na barriga da primeira vez


 

Naqueles dias eu pegaria no fuzil e lutaria ao seu lado

E não só torceria por você

A nossa loucura era a nossa verdade

E eu nunca mais serei tão louco de amor pela justiça


 

E Agora que eu vejo tudo desmoronar?

Nesses dias que garotos largam cadernos e empunham fuzis

Agora que a nossa fé e a decência se foram

Se sente a presença de "deus" nas notas de cem


 

Eu esvazio os bolsos e pergunto

Onde nós estamos agora?

Onde está o ideal e o tal futuro da nação?

Onde estão as promessas e nossa astúcia?


 

Quem matou minha juventude?

Que eu vou matar sua ganancia

Alguém quebrou meu espirito

E eu preciso consertar.


 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O vento e a flor

Segure minhas mãos com os olhos de novo

E deixe que eu capture suas palavras com meus ouvidos

Este mundo não nos pertence

E o que nos une não pertence a este mundo


 

Escute o que os primeiros ventos da primavera têm a dizer

São eles os amantes das primeiras flores

Que levam o melhor delas

Para crescer na terra ao longe


 

E eu que descia o rio sozinho

Agradeço agora ao sol pela boa nova

O amor chegou para mim

E eu cheguei a terra prometida de que os poetas falavam


 

Os primeiros ventos da primavera

Trouxeram a sua semente ao meu coração

E você minha flor, vive em mim

E eu me vejo vivo em seus olhos


 

Eu te prometo que todos os dias perseguiremos o sol

E todas as noites perseguirei as estrelas que caem para te dar

Em todas as flores te encontrarei

Em todos os ventos me sentirás


 

sábado, 17 de setembro de 2011

Novo

Eu poderia cair, rasgar, queimar
Eu poderia mergulhar e não voltar na sua falta
Eu poderia derrubar lágrimas
Encher a piscina negra dos seus olhos
Com meu sangue e meu amor
Eu gostaria de velar teu sono todas a noites
E ser sua primeira visão todos os dias

Quando escrevi nossa história na areia
A agua do mar não levou
E nosso castelo continua intacto até qualquer dia
Eu te vi no meu melhor sonho de menino
E você me veio como janeiro
Forte, confiante, quente e fraterno
Anunciando um novo tempo
Um novo amor
A nossa paz.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O chamado da manhã de domingo

Deixe a noite acontecer

Deixe o céu encher seus olhos de estrelas

Deixe-me sutilmente brilhar com você

E pela manhã não saber o que fazer


 

Deixa a vida acontecer um pouco

Mas sinta que ela passe e consinta

Não finja, não morra por desuso da vida

A manhã de domingo te fará feliz, querida


 

O covarde não vive e morre no fim

Mas você que sempre joga e nunca ganha aprende

Ama-me e eu espero te fazer ganhar na próxima vez


 

Procurar-te-ei nos versos que escreveste

Alcançar-te-ei pelas palavras que disseste

Abraçar-te-ei e sentirei a falta de ter-te tendo-te

E assim lhe ensinarei uns paradigmas


 

Seremos um só, numa nova lua

E esperaremos o velho sol de domingo chegar.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Deslize noite adentro

Nesse momento eu deixo a alma brilhar
Minha boca toca sutilmente o seu corpo
Enquanto sua mão docemente desliza

Eu gostaria de estar fora do meu corpo
Para gravar esse momento na memória
E ter a impressão que a vida é para sempre
Se vivermos sempre assim

Eu esperaria um verão eterno só para te ver sorrir
Mas é nas noites de inverno que você me vem
E sempre vai encontrar meu abraço ao chegar

Ah, se todas as noites fossem frias como essa
Se todas as luas te guiassem até a mim
Nós deslizaríamos noite adentro rumo ao sol

Mas desejando que a noite nunca acabasse
Que isso nunca acabasse.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Máquina do tempo

O amor é uma máquina do tempo

Os dias param quando ele vem

Eu sinto isso quando te vejo

Capturando a noite clara

E seu sorriso brilha pelas brechas


 

O amor é sim, uma poderosa máquina do tempo

Numa simetria perfeita com o céu

Numa sincronia perfeita com a lua,

As estrelas e seus olhos


 

Quando me vens, me desacelera

Pois os dias aceleram tanto sem você

Eu nem os vejo, Nem os ouço

Só os carrego e eles pesam em meu coração


 

Quero te ver para sempre

Para que todos os dias parem

E todas as noites brilhem

E tenham o gosto da tua pele


 

E para que quando você me olhe

Eu só sinta o meu coração acelerar

Ao chegar perto do seu.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Noites de Outono

A lua mente para mim esta noite. Olho para o céu e sinto teu gosto, o vento me toca e me arrepia. A sua lembrança ainda me assombra.

Minhas palavras são tão felizes sem ti, a falta que você me faz é facilmente traduzida em poesia, e sua presença se materializa em cada verso, nas entrelinhas da sua ausência. Ou minha ausência?

Bem, se foi eu quem me afastei enquanto nos víamos mais de perto. Eu quem fui embora ao amanhecer e não fiquei para ver seus olhos de fogos de artifício brilharem de novo. Se for eu o culpado do seu desamor, pois bem, me desculpo e me retiro e continuo a poetizar bonitos versos sobre o que não existe.

Mas não olhe para trás nem sinta raiva, pois em relação a isso tudo não olharei nem mesmo para frente. Fiquemos e finjamos uma amizade estruturada na nossa incapacidade de se afastar e na fria soberba que nos impede de sorrir um para o outro.

Iludamos pessoas que nada tem a ver com nossas frustrações usando falsas palavras e atos friamente calculados. Sim, nós sabemos fazer. É muito fácil.

Mas ainda assim não poderemos nunca fugir das estranhas noites de outono, do vento frio e lua brilhante que me dão a estranha sensação que você pensa, fala e faz exatamente como eu nesses momentos. A mágica do outono se manifesta e você está de novo perto de mim.