sábado, 17 de setembro de 2011

Novo

Eu poderia cair, rasgar, queimar
Eu poderia mergulhar e não voltar na sua falta
Eu poderia derrubar lágrimas
Encher a piscina negra dos seus olhos
Com meu sangue e meu amor
Eu gostaria de velar teu sono todas a noites
E ser sua primeira visão todos os dias

Quando escrevi nossa história na areia
A agua do mar não levou
E nosso castelo continua intacto até qualquer dia
Eu te vi no meu melhor sonho de menino
E você me veio como janeiro
Forte, confiante, quente e fraterno
Anunciando um novo tempo
Um novo amor
A nossa paz.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O chamado da manhã de domingo

Deixe a noite acontecer

Deixe o céu encher seus olhos de estrelas

Deixe-me sutilmente brilhar com você

E pela manhã não saber o que fazer


 

Deixa a vida acontecer um pouco

Mas sinta que ela passe e consinta

Não finja, não morra por desuso da vida

A manhã de domingo te fará feliz, querida


 

O covarde não vive e morre no fim

Mas você que sempre joga e nunca ganha aprende

Ama-me e eu espero te fazer ganhar na próxima vez


 

Procurar-te-ei nos versos que escreveste

Alcançar-te-ei pelas palavras que disseste

Abraçar-te-ei e sentirei a falta de ter-te tendo-te

E assim lhe ensinarei uns paradigmas


 

Seremos um só, numa nova lua

E esperaremos o velho sol de domingo chegar.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Deslize noite adentro

Nesse momento eu deixo a alma brilhar
Minha boca toca sutilmente o seu corpo
Enquanto sua mão docemente desliza

Eu gostaria de estar fora do meu corpo
Para gravar esse momento na memória
E ter a impressão que a vida é para sempre
Se vivermos sempre assim

Eu esperaria um verão eterno só para te ver sorrir
Mas é nas noites de inverno que você me vem
E sempre vai encontrar meu abraço ao chegar

Ah, se todas as noites fossem frias como essa
Se todas as luas te guiassem até a mim
Nós deslizaríamos noite adentro rumo ao sol

Mas desejando que a noite nunca acabasse
Que isso nunca acabasse.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Máquina do tempo

O amor é uma máquina do tempo

Os dias param quando ele vem

Eu sinto isso quando te vejo

Capturando a noite clara

E seu sorriso brilha pelas brechas


 

O amor é sim, uma poderosa máquina do tempo

Numa simetria perfeita com o céu

Numa sincronia perfeita com a lua,

As estrelas e seus olhos


 

Quando me vens, me desacelera

Pois os dias aceleram tanto sem você

Eu nem os vejo, Nem os ouço

Só os carrego e eles pesam em meu coração


 

Quero te ver para sempre

Para que todos os dias parem

E todas as noites brilhem

E tenham o gosto da tua pele


 

E para que quando você me olhe

Eu só sinta o meu coração acelerar

Ao chegar perto do seu.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Noites de Outono

A lua mente para mim esta noite. Olho para o céu e sinto teu gosto, o vento me toca e me arrepia. A sua lembrança ainda me assombra.

Minhas palavras são tão felizes sem ti, a falta que você me faz é facilmente traduzida em poesia, e sua presença se materializa em cada verso, nas entrelinhas da sua ausência. Ou minha ausência?

Bem, se foi eu quem me afastei enquanto nos víamos mais de perto. Eu quem fui embora ao amanhecer e não fiquei para ver seus olhos de fogos de artifício brilharem de novo. Se for eu o culpado do seu desamor, pois bem, me desculpo e me retiro e continuo a poetizar bonitos versos sobre o que não existe.

Mas não olhe para trás nem sinta raiva, pois em relação a isso tudo não olharei nem mesmo para frente. Fiquemos e finjamos uma amizade estruturada na nossa incapacidade de se afastar e na fria soberba que nos impede de sorrir um para o outro.

Iludamos pessoas que nada tem a ver com nossas frustrações usando falsas palavras e atos friamente calculados. Sim, nós sabemos fazer. É muito fácil.

Mas ainda assim não poderemos nunca fugir das estranhas noites de outono, do vento frio e lua brilhante que me dão a estranha sensação que você pensa, fala e faz exatamente como eu nesses momentos. A mágica do outono se manifesta e você está de novo perto de mim.

domingo, 3 de abril de 2011

Manifesto Comum(nista)


Aos filhos da inchada,
Da pá e do arado,
Não aos filhos da colheita

Aos filhos do volante,
Da boleia, da caçamba,
Não aos filhos da transportadora

Aos filhos da vassoura,
Do sabão, do pano de chão,
Não aos filhos da mansão

Aos filhos do tear,
Da linha e da agulha,
Não aos filhos do tecido

Aos filhos da construção,
Da colher de pedreiro e cimento,
Não aos filhos do edifício

Aos filhos órfãos dos fuzis,
Das bombas e das mortes inúteis,
Não aos filhos da guerra

Aos filhos de Havana,
Soweto e Rio de Janeiro,
Não aos filhos de Wall Street.

O socialismo se manifesta para você
Filho da injustiça e da fome,
Mas não da indignidade

Os que não têm nada
Têm tudo a conquistar
Ao fazer andar a locomotiva da história.

Somos os filhos da foice e do martelo,
Somos os pais da revolução,
Pátria ou morte!

Pensando em você (em uma ciencia à parte)


Entre as gotas de chuva
Os livros vermelhos de economia e política
Peguei-me pensando em você
Lembrando dos teus gestos, da tua voz
Dos versos corporais que te fazem poesia

Entre todas as ciências humanas
Encontrei-me numa ciência distante
Que tem o teu nome
Que experimenta a tua pele
E que pesquisa no teu intimo
A tua capacidade de ser poesia
E ser gente ao mesmo tempo
De ser perfeita e errante
De ser meu amor e não ser minha

Na tua dialética universal
Você é a paz que me põe em guerra
Com minhas metas, meus valores
Em você há minha felicidade e tristeza
Que se alternam conforme a distancia
Em intervalos de tempo instáveis
Entre essas paredes eu desvendo quebra-cabeças
As variáveis que te afastam
Frutos do produto que nos aproxima

Entre as gotas de chuva eu continuo
Decifrando o indecifrável
Tentando entender um sentimento
Que eu só deveria sentir.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Beatriz


Beatriz,
“Aquela que nos faz feliz”
Dona do “sorriso epidemia”
Que contagia pela visão
E logo toma a cabeça
Os lábios, as veias,
O coração.

Bela-atriz
Aquela que engana a realidade
Aquela que reinventa a verdade
E nos oferece
Mais doce e mais linda
Mais fácil de engolir.

Com um pedaço da alma, Beatriz
Com um pedaço
Do castelo que eu fiz
Da riqueza que ela não quis
Com um pedaço do sorriso
Ainda no rosto ela diz
Quem será capaz de me fazer feliz?


segunda-feira, 7 de março de 2011

Florescer

Eu quero um amor
Mas não um amor qualquer
Quero sentir o peito palpitar
A pele estremecer
A voz falhar
Quero sentir meus sinais vitais à flor-da-pele
Quando os meus olhos
Encontrarem com os dela
 

Eu quero um amor
E não uma paixão
Mesmo que não seja correspondido
Mesmo que eu ame sozinho
Pois paixão é receber
Dura pouco e tira a paz
Tantas vieram e nada deixaram
Mas amor é altruísta e sereno
E continua vivo quando o verso se vai.
 

Eu quero um amor
Pois amor nunca faz mal
Amor faz a alma brilhar
Quando as estrelas começam a se esconder
Dá tudo e não pede nada
Amar é ser humano na contramão da humanidade
Amar é viver de dentro para fora
Amar é florescer sem vegetar
Amar é dar a vida sem morrer
Coríntios 13:4



sábado, 5 de março de 2011

Rosa - Ângela


Ela é linda, inteligente. Sorri lindamente
E mente. Sente, e consente
Que a tristeza escorregue
Pelos cantos do sorriso às vezes.
Quem me dera, ó Deus
Limpar a tristeza do canto dos seus olhos
E deixar que seu sorriso minta deslumbrante
E que eu registre cada instante
Para que sua felicidade siga radiante
E sua imagem entre para a história
Não como a tristeza vazada
Mas como o sorriso blindado
Mas de um vazio só seu
E uma vontade só minha de preencher.