quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sequelas do que o tempo não curou

O ar me falta essa manhã
O sol me fere, o sangue ferve

Minhas idéias, como sempre,
Correm soltas pela mente
E eu incapaz prendê-las

Por mim os carros passam,
Pessoas apertam o passo,
Pra frente e sempre...

Hoje ninguém olhou o céu
Ninguém viu o que há de diferente.
Não viram que o sol rasga a pele como nunca
E seus raios agridem os olhos impiedosamente

E que a vida viciosa consome nossas mentes

Será que ninguém enxerga como eu
Será que eu sou o louco, de quem todos estão rindo
Pois mesmo que veja a verdade
Não sei rir de ninguém

Eu queria encontrar Deus
Eu queria acender minhas velas e estar em paz
Eu queria estar deslumbrado como todos
Mas não estou...

A anestesia natural do tempo não fez efeito
Eu ainda posso sentir enquanto rasgam minha alma
E violam meu coração.

Eu ainda posso sentir quando tentaram meu espírito
Que era forte demais para ser quebrado
Mas fraco demais para resistir.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Heroína

Canhões de fluoxetina te destroem
Mas foi você que engatilhou a arma
Nós fomos onde tudo é irreversível
Mesmo todo dia nascendo igual

Por quê?
Por que você caminha lentamente para morte?
Por que você faz isso consigo mesma?

Ouvindo o blues dos afogados
Você mergulha e eu te salvo, eu te protejo
Mesmo que não possa te proteger de você mesma
E mesmo que você já não queira proteção.
Eu parei e você foi, e eu tive medo
Medo de não ter medo como você não tem
Eu me queimei e recuei
Você quis queimar para sempre
E eu te admirei, minha heroína

Suas veias machucadas se escondem
Enquanto você procura a morte
O sangue fervente que passa
A espera dos glóbulos verdes.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eu sou o sol

Agora eu sou a chama,
E você não pode mais me tocar,
Você não pode mais brincar comigo
Não chegue perto, não me olhe assim

Agora eu sou o sol
Estou muito longe de você
Ilumino-te daqui mas não posso te ver
E você não pode olhar diretamente para mim

Agora eu sou a estrada,
Deixei de ser suas rodas
Não te levo mais onde você quer
Agora sou seu caminho.

E se você fracassar
Eu não vou estar mais para te aplaudir
E quando você tiver medo
Não enfrentarei o escuro com você

Mas quando você tiver tempo
E quando aquela canção tocar
Eu crescerei em seu coração
E você não estará mais sozinha.

sábado, 14 de agosto de 2010

Magia ou Ilusionismo

Eu preferia que fosse simples
Eu preferia que fosse real
Eu preferia que fosse a verdade
Já que a magia se foi

Eu queria um mistério mágico
Eu queria sonho impossível
Quis magia e tive ilusionismo
Tive ilusão querendo misticismo

Eu queria você aqui perto
E hoje quero você de longe
Mas ainda quero, longe que seja
Pois você está dentro de mim.

Eu criei você, e matei você
Você nunca foi para ninguém o que é para mim
No mundo real você mentiu
Mais de uma vez, e hoje eu sei

Não precisava, eu entenderia
Pesando a vida e a brisa fria
O vento assovia teu nome, feiticeira
Mas feiticeira sem magia é ilusionista.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos Pais (08 de agosto de 2010)

Eu queria começar sem nenhuma palavra
Eu queria que todos entendessem meus pensamentos
Eu queria uma chamada com os mortos
Ou que pelo menos ouvissem meus lamentos.

O que eu sei de mim não diz quem eu sou
O que diz quem sou é o que quero saber
E o que sei de você é o que ficou
Tudo aquilo que você não pôde dizer.

O dia dos pais não existe, hoje eu sei
Hoje é o dia dos filhos
Dia dos filhos amarem o calor paterno
E dos órfãos chorarem o frio.

Você é quem foi sem que eu pudesse ver
Você é quem me vem insistentemente
Você é o imortal dos meus pensamentos
Que morre toda noite na minha mente.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Melancólico indignado

Aqui estou novamente. Estrategicamente posicionado entre um ou outro raio de sol e a sombra da amendoeira no asfalto. As duvidas que sempre me fizeram bem, que sempre me fizeram sair em busca de algo novo, de um argumento forte. Agora me paralisam, em uma guerra de consciências minhas.

O que fazer?
O que ser?
Como entender a morte?
E a vida?
Palhetas ou unhas?
Aço ou aço?
Lucky Strike ou Carlton?
Stairway to heaven ou Highway to hell?

Deus ou a verdade? O que um tem a ver com o outro? Pra mim, Deus sempre foi magia, místicismo, sobrenaturalidade e sempre foi, do tamanho da imaginação de cada um.

Confuso?!
Rock! E eu fujo por alguns minutos, escapo por algumas notas musicais.

Preciso entender
Preciso entreter
Preciso merecer

Preciso de amor
Preciso de ódio
Preciso de algo
Eu não sinto nada!

Me pego flertando com as palavras, as seduzo, as violo, e crio “ Monstros Frankensteins” como esses. Pedaços de prosa, pedaços de verso, vocábulos e gametas. Filhos meus e delas, palavras.

Desafio Deus: eu também dei a vida.

E eu gostaria de acreditar
Mas sei que não é real
Eu queria ser normal
Mas detesto esse tédio
Eu queria que fosse fácil
Mas sou um gladiador
Eu queria que fosse o destino
Mas eu mesmo criei.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Campos de morangos eternos


Eu construí um mundo
E me fechei em suas muralhas
Nele tinha tudo o que me fazia feliz
Lá eu extingui minhas falhas

Minha crença foi criada lá também
E meus deuses reinventaram o que eu inventei
Eu era criador e me rendi à criação
E então reaprendi o que eu já sei.

Eu precisava dizer eu te amo para mim mesmo
Eu precisava parar de perder
Mas não queria ganhar de ninguém
Só queria convencer.

O que há de errado comigo?
Se o mundo não me entende a culpa é minha
Eu mudava toda vez que me sentia diferente
E mudava toda vez que me sentia igual

E não pensem mal, tentei sim mudar o mundo
Mas cansado de tentar... E errar, sonhei
Tudo chegou e tudo se foi e tudo chegou de novo
O sonho acabou mas eu não acordei

Me mantenho dentro do meu mundo
Adorando os meus deuses imaginários
Solitário em meus campos de morangos eternos
Deixo acontecer para sempre...

(Nome inspirado na obra de The Beatles, "Strawberry fields forever")

terça-feira, 27 de julho de 2010

Loading...

Não mintas, não firas (-se), não fujas, não perca (-se)
Não jogues (-se), não corras, não mate (-se), não morras
Não ame (-os), você não sabe odiá-los.

Irmão... Decida! Vai, fica
Compre, venda, troque, aprenda
Viva.. Mas por enquanto
Tenha cuidado!

Agora é a hora.

Cante! Ninguém está vendo.
Encante! Todos estão vendo.

Toque, sole, “drope”
Viaje e volte, mas não saia daqui,

Essa é a formula,
Não siga ela!

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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Gasolina

A enorme aba do boné aponta o caminho.

Eu sigo, sozinho!
Alguém me diz um “eu também te amo”
Eu queria só um “você é legal”,
Mas que fosse no mínimo espontâneo.
Mais Gasolina. Eu queimo para fugir disso tudo.

Então escreva uma poesia diferente. Adicione versos à prosa uniforme. Use a crase, adicione gelo, açúcar, e beba... E esqueça. Tome gasolina, e fuja!

Gasolina, eu cai fora de você
Você caiu dentro de mim
Não, eu não estou bêbado
Aqui não há álcool, só você Gasolina

E quando você faltar
Eu queimarei meu sangue para cair fora disso
Ele durará só mais uma semana
Verei 7 sóis e 7 luas diferentes

7 dias e 7 noites inéditas
7 vezes direi seu nome: Gasolina
E quando vierem as lembranças, você virá logo depois
E eu queimarei você novamente.

Eu não vou ficar insano hoje
Eu não estou sóbrio, mas sei o que quero
Hoje eu quero 7 litros de gasolina aditivada

Para arrancar daqui com meu carro de fuga
Eu detesto caminhar, preciso de mais gasolina
Tocarei o chão com os pés nos próximos 7 quilômetros de loucura


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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Novo estudo sobre a nação capitalista (sistema do cuspe)

É simples:

Você é cuspido para fora do pênis
E para dentro da vagina
Em nove meses é cuspido para fora da vagina
E para dentro da família
Logo é cuspido da família para a escola (ou para rua)
E então é cuspido para fora da escola
E para dentro do mercado de trabalho (você dificilmente é inserido nele)
Se você adoece ou não satisfaz
Aos desejos egocêntricos e às vezes sádicos do patrão
É cuspido para o olho da rua
As ruas te levam de volta para casa
Em casa o choro faminto da sua criança
Te cospe de volta para as ruas
Só que agora “bem preparado”
Você rouba uma vez para comprar feijão
E as circunstâncias te cospem para o submundo
E o submundo te cospe para o crime
Até que você é morto ou preso
E é cuspido num buraco úmido cheio de vermes
De qualquer forma (morto ou preso) você não tem nome
Pois cuspiram ele numa estatística
Estatística essa que devia ajudar
A cuspir para fora do país esse tipo de injustiça
Mas o que os políticos fazem?...