Eu me lembro de tudo e me esvazio
Afastando-se do que eu mais amo,
Mas a cor do céu não me tiram
É azul! E minhas rodas giram.
Agora quero ser alguém melhor
Fazendo algo novo,
Saibam que não esquecerei de ninguém,
Mas agora o jogo é outro.
E minhas rodas continuam...
Acelerando a solidão.
E as memórias flutuam,
Enquanto minhas rodas rasgam o chão.
Eu vou agora no caminho contrário
Ao que nós íamos juntos.
Vejo tudo e não me arrependo
Aliás, me orgulho de tudo.
Orgulho-me de quem eu me tornei por você
E do que eu fiz para não ter fim,
Eu vivi para te ter e não faço por mais ninguém
Hoje não te tenho e vou viver para mim.
Alguém tirou o melhor de nós,
Alguém nos tirou os melhores momentos,
Talvez nós não estivéssemos prontos.
Mas eu não lamento.
Nós continuamos a ser um só
Mas agora somos uma estrada de mão dupla.
Cada um para seu destino,
Cada um com a sua culpa.
“Lá vai meu herói” - alguém disse.
Ele precisa descansar.
Mas quem sabe nossos caminhos nos unam
Outra vez, em outro lugar.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
As confissões do sonhador
Às seis da manhã o céu era algodão.
Do pico de uma montanha a outra, tudo era branco. Entre elas, num tímido esplendor os primeiros raios de sol ganhavam seu espaço. Era vermelho, amarelo, laranja, azul, lilás e outras cores que eu não sei nomear. Elas enchiam os olhos do sonhador.
Daquele ponto a visão era majestosa. A Rua Berlim, a rua mais alta do bairro e com certeza a mais fria da cidade também. Ela agradecia àquela benção aos pés da serra. E ele só observava, contemplava a inusitada beleza daquele lugar. Aquelas sarjetas sujas nunca foram tão belas. Sim, eram sarjetas belas. A beleza nunca foi tão simples, tão crua, tão triste. Com aquele céu tudo era simples, cru e triste.
Da Rua Berlim até a casa em que passaria o dia, eram quatro ruas com nomes de cidades européias, elas nunca foram tão longas, tão solitárias, e principalmente, ninguém pensaria tanta coisa naquele trajeto. Nunca mais. Mas era um dia diferente, um momento diferente: seis horas e quatro minutos de um novo ano, e havia a companhia de um cão.
“Estou só” – pensou. A frase dizia mais do que fato de a rua estar quase vazia, tendo apenas ele e o cão como transeuntes. Naquele momento a cidade era cinzas, o mundo era barro, as pessoas fumaça, os prédios gigantes petrificados e o sol começava a misturar tudo. Os únicos seres eram ele e o cão provando o céu. Ah, aquele céu! Ele o adorava, mas odiava seu gosto. Tinha o gosto do nome dela. Ele quase o gritava a cada vez que olhava o céu. Seu grito rasgaria acres e acres de rua vazia e voltaria a seus ouvidos, dilacerando sua mente na solidão dos ecos. Mas não houve grito, nem eco, nem rua rasgada ou mente dilacerada. As palavras nasciam nos pulmões, cresciam na garganta e morriam na ponta da língua, deixando apenas o movimento labial que o cão parecia entender. Uma situação perigosamente aflitiva.
A SITUAÇÃO
O céu o matava, as ruas se agigantavam,
e ele estava na terapia ao ar livre de um cão vira-lata,
mas não estava louco.
Como pode um rosto fazer tanta falta?
Como pode alguém anular um mundo e ir embora?
Ela nunca tinha sido tão importante para alguém. Era a coisa mais importante no mundo para ele naquele momento.
O que mais poderia se levantar e o apoiar naquele momento? Nada, é a resposta. Nada além da imagem dela, da voz dela, do olhar dela. Ele não tinha nada disso. Ela não iria emergir do chão para mantê-lo de pé. “Eu preciso desmoronar” – pensou então. E o cão o fitou, fez a leitura telepática da frase, latiu como se tivesse entendido e farejou uma solução no chão. Achou uma flor ressecada e a carregou na boca pelo resto do caminho e continuou ler-lhe o pensamento.
Mais uma rua e antes que a solidão chegasse a níveis críticos de confusão de identidade, eis que vem ela: a última esquina. Ao passar por lá viu dois bêbados, dois loucos ainda comemorando a entrada do ano. Não era muito civilizado ou poético, mas foi aquela visão que lhe mostrou que a humanidade ainda estava lá, viva, entorpecida, louca e plena. Pronta para ele. Dalí até em casa não trocou mais nenhum pensamento com o cão, o céu já era todo claro, azul e com nuvens de algodão costuradas nele. Agora o algodão era doce. Ele sentia que a vida tinha uma nova face, sentia que não precisava dela para se apoiar. Precisava sim, de um novo amanhecer e de um novo sonho para viver.
Ao chegar ao portão manchado de vinho, abriu e entrou num só movimento. Seu companheiro canino tentou entrar também, ele o fitou nos olhos com imensa sinceridade e disse: – “Não, meu amigo. Obrigado!” – dessa vez a voz saiu, o cão entendeu mas havia mais coisas a dizer. E então ele pensou: – “Vá e leve meu delírio. Leve minhas memórias e minha amizade. E não conte a ninguém”.
UMA ÚLTIMA IRONIA
Naquela semana o sonhador não sonhou.
O sonhador não sonhou.
Tinha medo do novo sonho que viveria.
A Tempestade
O céu está apertado
as nuvens se esbarram,
rugem alto, se despedaçam, desabam.
No atrito soltam faíscas,
que iluminam o céu
e agridem as vistas.
Enxugam o céu, encharcam o mundo,
estouram suas veias,
destroem tudo.
Enquanto observo, absorvo,
Seco os vidros,
e os embaço de novo.
Sinto o teto do mundo
a um metro da minha cabeça.
Enquanto atores falidos
amontoam-se e me iludem,
me vencem e convencem
de mentir para mim outra vez.
Deus os queima e joga fora.
Queima e joga fora do céu.
e eu toco o véu d’água,
e ele me toca.
E então, a chuva torrencial de verão
me preparou um cenário.
Onde eu enceno a solidão,
e construo minha própria prisão.
Onde meus olhos fazem chover,
e a chuva me faz chorar.
Onde eu relembro
meus doces sacrifícios.
Onde eu planejo um último suspiro.
Onde eu invento um último perdão.
as nuvens se esbarram,
rugem alto, se despedaçam, desabam.
No atrito soltam faíscas,
que iluminam o céu
e agridem as vistas.
Enxugam o céu, encharcam o mundo,
estouram suas veias,
destroem tudo.
Enquanto observo, absorvo,
Seco os vidros,
e os embaço de novo.
Sinto o teto do mundo
a um metro da minha cabeça.
Enquanto atores falidos
amontoam-se e me iludem,
me vencem e convencem
de mentir para mim outra vez.
Deus os queima e joga fora.
Queima e joga fora do céu.
e eu toco o véu d’água,
e ele me toca.
E então, a chuva torrencial de verão
me preparou um cenário.
Onde eu enceno a solidão,
e construo minha própria prisão.
Onde meus olhos fazem chover,
e a chuva me faz chorar.
Onde eu relembro
meus doces sacrifícios.
Onde eu planejo um último suspiro.
Onde eu invento um último perdão.
domingo, 17 de janeiro de 2010
A cidade me consome
Hoje sai sem saber
a que horas vou voltar,
há horas e horas atrás,
me senti só na multidão
e não seria maior a solidão
se a cidade não estivesse aqui.
no fim da tarde
o céu era vermelho e queimava
e meus olhos caiam por aí
nas sarjetas ressecadas,
fugindo do calor que me matava,
da luz que me cegava,
da dor que me calava.
e há também uma falta,
alguma coisa me esvazia.
não sentir tua presença
me mata, e esse silencio...
ah! ele nunca acaba.
a cidade nunca acaba,
não é tão fácil fugir.
a angústia tem gosto amargo,
mas não é pior que o cheiro
do esgoto, desse lixo sentimental,
e desse calor a altas horas.
por que hoje o céu não chora?
seria bem conveniente.
são apenas 10 horas
mas minha cidade adormeceu,
o céu perdeu seu gosto e morreu.
e as estrelas caíram
num ultimo sarcasmo
oh! Deus, como eu gostaria de um cigarro.
todos eles acabaram.
a que horas vou voltar,
há horas e horas atrás,
me senti só na multidão
e não seria maior a solidão
se a cidade não estivesse aqui.
no fim da tarde
o céu era vermelho e queimava
e meus olhos caiam por aí
nas sarjetas ressecadas,
fugindo do calor que me matava,
da luz que me cegava,
da dor que me calava.
e há também uma falta,
alguma coisa me esvazia.
não sentir tua presença
me mata, e esse silencio...
ah! ele nunca acaba.
a cidade nunca acaba,
não é tão fácil fugir.
a angústia tem gosto amargo,
mas não é pior que o cheiro
do esgoto, desse lixo sentimental,
e desse calor a altas horas.
por que hoje o céu não chora?
seria bem conveniente.
são apenas 10 horas
mas minha cidade adormeceu,
o céu perdeu seu gosto e morreu.
e as estrelas caíram
num ultimo sarcasmo
oh! Deus, como eu gostaria de um cigarro.
todos eles acabaram.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Um belo dia para morrer
Se levante comigo,
Hoje é um belo dia para morrer.
Se levante aqui comigo,
O sol acabou de nascer.
Guerreiros livres
Simplesmente não lutam,
Eles apenas se erguem
e suas almas flutuam.
Eles são imaculados,
estão fora dessa questão.
Um deles não contrói
A sua própria prisão.
Eu tenho medo do futuro
Mas tudo vai indo bem.
Até agora tudo é muito igual
porém, já não digo nada a ninguém.
Querida, você não desconfia
do que eu sei,
Não morrer não é viver para sempre.
Você não sabe o que eu aprendi
e então ensinei,
Nada é livre do fim,
Glorioso é quem entende.
E agora eu sei:
É sábio e cruel, o tempo.
Arrasta consigo lágrimas, lamentos...
Nem devagar nem rápido, mas sem tropeços,
Até que um dia os deixa cair
na estrada entre o fim e o recomeço.
Hoje é um belo dia para morrer.
Se levante aqui comigo,
O sol acabou de nascer.
Guerreiros livres
Simplesmente não lutam,
Eles apenas se erguem
e suas almas flutuam.
Eles são imaculados,
estão fora dessa questão.
Um deles não contrói
A sua própria prisão.
Eu tenho medo do futuro
Mas tudo vai indo bem.
Até agora tudo é muito igual
porém, já não digo nada a ninguém.
Querida, você não desconfia
do que eu sei,
Não morrer não é viver para sempre.
Você não sabe o que eu aprendi
e então ensinei,
Nada é livre do fim,
Glorioso é quem entende.
E agora eu sei:
É sábio e cruel, o tempo.
Arrasta consigo lágrimas, lamentos...
Nem devagar nem rápido, mas sem tropeços,
Até que um dia os deixa cair
na estrada entre o fim e o recomeço.
Calado, pela última vez.
Pela última vez que a vi
poderia tê-la beijado,
poderia tê-la abraçado,
pela última vez
tê-la feito feliz.
Poderia ter dito que a amo,
e tê-la pela última vez
em meus braços.
Poderia fazer pela última vez
o que nunca fiz.
Mas eu não queria estar lá
quando meus olhos ficassem vermelhos.
Eu não queria que ela visse
eu beijar o chão.
Então a disse adeus
com um abraço tão frio,
e deixei que aquela carta
sucumbisse em minha mão.
O que era aquilo tudo?
eu preferiria não ter visto,
não ter vivido esse último momento.
e aquela carta, feita a mão,
como um último lamento,
como um último pedaço dela aqui,
um pedaço que nunca ri
que nunca emite som.
poderia tê-la beijado,
poderia tê-la abraçado,
pela última vez
tê-la feito feliz.
Poderia ter dito que a amo,
e tê-la pela última vez
em meus braços.
Poderia fazer pela última vez
o que nunca fiz.
Mas eu não queria estar lá
quando meus olhos ficassem vermelhos.
Eu não queria que ela visse
eu beijar o chão.
Então a disse adeus
com um abraço tão frio,
e deixei que aquela carta
sucumbisse em minha mão.
O que era aquilo tudo?
eu preferiria não ter visto,
não ter vivido esse último momento.
e aquela carta, feita a mão,
como um último lamento,
como um último pedaço dela aqui,
um pedaço que nunca ri
que nunca emite som.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
combustível para alma
O sol nos rasga a pele,
o torpor parece infinito.
É quente, é muito quente!
Hoje o céu é azul,
um falso dia bonito.
Hoje o céu mente, ele mente!
A inspiração amarga.
A tempestade que chega
me alerta, me dá a resposta certa.
A solidão tem dois lados
A dor às vezes dá onda.
Me alerta! A dor me faz um poeta.
o torpor parece infinito.
É quente, é muito quente!
Hoje o céu é azul,
um falso dia bonito.
Hoje o céu mente, ele mente!
A inspiração amarga.
A tempestade que chega
me alerta, me dá a resposta certa.
A solidão tem dois lados
A dor às vezes dá onda.
Me alerta! A dor me faz um poeta.
O coração do sonhador
Ele bombeia os fluídos de amor pela alma
e se retrai com a dor mais aguda.
A paixão, eterna antagonista da calma
causa num coração velho uma bombeada enxuta.
Ele se abre e grita como uma rosa vermelha
que nossos olhos ouvem nunca dizem não.
A rosa que grita com uma cor tão forte
é tão forte quanto a dor do grito de um coração.
Ele é uma enorme caixa de sonhos,
sonhos novos e quebrados se amontoam nas paredes.
Ele é um carregador de sonhos, eu suponho,
que passa por praças de guerra e campos verdes.
Mas e quando os sonhos não são feitos de prata,
E quando eles são pesados e quebrados?
Meu coração só passa por bombardeios há tempos,
Pois eu sou um sonhador com o coração cansado.
e se retrai com a dor mais aguda.
A paixão, eterna antagonista da calma
causa num coração velho uma bombeada enxuta.
Ele se abre e grita como uma rosa vermelha
que nossos olhos ouvem nunca dizem não.
A rosa que grita com uma cor tão forte
é tão forte quanto a dor do grito de um coração.
Ele é uma enorme caixa de sonhos,
sonhos novos e quebrados se amontoam nas paredes.
Ele é um carregador de sonhos, eu suponho,
que passa por praças de guerra e campos verdes.
Mas e quando os sonhos não são feitos de prata,
E quando eles são pesados e quebrados?
Meu coração só passa por bombardeios há tempos,
Pois eu sou um sonhador com o coração cansado.
domingo, 10 de janeiro de 2010
O dia que nunca acaba
Ele nasceu para me desmoronar.
Mas e se eu já estiver no chão?
Seu ar circula por aí,
eu prendo a respiração
não aspiro seu veneno.
Ele veio para me envenenar.
Mas e se eu já estiver envenenado?
Preso atrás dessa linha
que me une a você,
e você me deixa tão só.
ele veio para me escaldar.
Mas e se eu já estiver fervendo?
Com a pele escamando
em processo de dissolução.
Rastejando para fora da minha pele.
Céu de azul infinito,
Horas que parecem séculos,
suas nuvens de fumaça branca,
e a água evaporando
e distorcendo o asfalto em brasas.
O céu mistura tudo
num ensopado colossal.
Eu sou sua colher de pau,
mesclando a eternidade de uma dia
a certeza de que ele acabará.
Mas e se eu já estiver no chão?
Seu ar circula por aí,
eu prendo a respiração
não aspiro seu veneno.
Ele veio para me envenenar.
Mas e se eu já estiver envenenado?
Preso atrás dessa linha
que me une a você,
e você me deixa tão só.
ele veio para me escaldar.
Mas e se eu já estiver fervendo?
Com a pele escamando
em processo de dissolução.
Rastejando para fora da minha pele.
Céu de azul infinito,
Horas que parecem séculos,
suas nuvens de fumaça branca,
e a água evaporando
e distorcendo o asfalto em brasas.
O céu mistura tudo
num ensopado colossal.
Eu sou sua colher de pau,
mesclando a eternidade de uma dia
a certeza de que ele acabará.
sábado, 9 de janeiro de 2010
A vigésima segunda avenida
Eu senti um arrepio pela espinha ao andar por aqui sozinho. Essa é a vigésima segunda avenida que eu tento iluminar hoje. Mas minha alma é tão culpada, minha sentença é esta aqui.
É a vigésima segunda avenida. Um pesadelo de 255 metros, percorrido a passadas lentas - quase paralisadas - em meio a neblina. Ao cheiro de medo. Sim, o cheiro. Não o fedor.
Essa neblina que me oblitera lentamente, são os espíritos que me socam, suavemente, bem no rosto. Tão sarcásticos.Mas contundentes.Todos aqueles corpos desalmados - criados por Deus - são tão inúteis junto aos corpos sem alma - criação dos homens - mas suas almas são quentes.Corpos mortos. Almas vivas. Afinal, são corpos desalmados,almas desencaranadas.
A dança dos mortos é encantadora,e estou amedrontado.Situação aflitiva - alguém diria. Violentamente aflitiva. E a minha alma dança.
Mas no fim um alívio: a música acabou, a avenida também,ficaram os corpos, foram as almas, e eu, continuo... vivo.
É a vigésima segunda avenida. Um pesadelo de 255 metros, percorrido a passadas lentas - quase paralisadas - em meio a neblina. Ao cheiro de medo. Sim, o cheiro. Não o fedor.
Essa neblina que me oblitera lentamente, são os espíritos que me socam, suavemente, bem no rosto. Tão sarcásticos.Mas contundentes.Todos aqueles corpos desalmados - criados por Deus - são tão inúteis junto aos corpos sem alma - criação dos homens - mas suas almas são quentes.Corpos mortos. Almas vivas. Afinal, são corpos desalmados,almas desencaranadas.
A dança dos mortos é encantadora,e estou amedrontado.Situação aflitiva - alguém diria. Violentamente aflitiva. E a minha alma dança.
Mas no fim um alívio: a música acabou, a avenida também,ficaram os corpos, foram as almas, e eu, continuo... vivo.
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