quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Calado, pela última vez.

Pela última vez que a vi
poderia tê-la beijado,
poderia tê-la abraçado,
pela última vez
tê-la feito feliz.

Poderia ter dito que a amo,
e tê-la pela última vez
em meus braços.
Poderia fazer pela última vez
o que nunca fiz.

Mas eu não queria estar lá
quando meus olhos ficassem vermelhos.
Eu não queria que ela visse
eu beijar o chão.

Então a disse adeus
com um abraço tão frio,
e deixei que aquela carta
sucumbisse em minha mão.

O que era aquilo tudo?
eu preferiria não ter visto,
não ter vivido esse último momento.

e aquela carta, feita a mão,
como um último lamento,

como um último pedaço dela aqui,

um pedaço que nunca ri
que nunca emite som.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

combustível para alma

O sol nos rasga a pele,
o torpor parece infinito.
É quente, é muito quente!

Hoje o céu é azul,
um falso dia bonito.
Hoje o céu mente, ele mente!

A inspiração amarga.
A tempestade que chega
me alerta, me dá a resposta certa.

A solidão tem dois lados
A dor às vezes dá onda.
Me alerta! A dor me faz um poeta.

O coração do sonhador

Ele bombeia os fluídos de amor pela alma
e se retrai com a dor mais aguda.
A paixão, eterna antagonista da calma
causa num coração velho uma bombeada enxuta.

Ele se abre e grita como uma rosa vermelha
que nossos olhos ouvem nunca dizem não.
A rosa que grita com uma cor tão forte
é tão forte quanto a dor do grito de um coração.

Ele é uma enorme caixa de sonhos,
sonhos novos e quebrados se amontoam nas paredes.
Ele é um carregador de sonhos, eu suponho,
que passa por praças de guerra e campos verdes.

Mas e quando os sonhos não são feitos de prata,
E quando eles são pesados e quebrados?
Meu coração só passa por bombardeios há tempos,
Pois eu sou um sonhador com o coração cansado.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O dia que nunca acaba

Ele nasceu para me desmoronar.
Mas e se eu já estiver no chão?
Seu ar circula por aí,
eu prendo a respiração
não aspiro seu veneno.

Ele veio para me envenenar.
Mas e se eu já estiver envenenado?
Preso atrás dessa linha
que me une a você,
e você me deixa tão só.

ele veio para me escaldar.
Mas e se eu já estiver fervendo?
Com a pele escamando
em processo de dissolução.
Rastejando para fora da minha pele.

Céu de azul infinito,
Horas que parecem séculos,
suas nuvens de fumaça branca,
e a água evaporando
e distorcendo o asfalto em brasas.

O céu mistura tudo
num ensopado colossal.
Eu sou sua colher de pau,
mesclando a eternidade de uma dia
a certeza de que ele acabará.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A vigésima segunda avenida

Eu senti um arrepio pela espinha ao andar por aqui sozinho. Essa é a vigésima segunda avenida que eu tento iluminar hoje. Mas minha alma é tão culpada, minha sentença é esta aqui.

É a vigésima segunda avenida. Um pesadelo de 255 metros, percorrido a passadas lentas - quase paralisadas - em meio a neblina. Ao cheiro de medo. Sim, o cheiro. Não o fedor.

Essa neblina que me oblitera lentamente, são os espíritos que me socam, suavemente, bem no rosto. Tão sarcásticos.Mas contundentes.Todos aqueles corpos desalmados - criados por Deus - são tão inúteis junto aos corpos sem alma - criação dos homens - mas suas almas são quentes.Corpos mortos. Almas vivas. Afinal, são corpos desalmados,almas desencaranadas.

A dança dos mortos é encantadora,e estou amedrontado.Situação aflitiva - alguém diria. Violentamente aflitiva. E a minha alma dança.

Mas no fim um alívio: a música acabou, a avenida também,ficaram os corpos, foram as almas, e eu, continuo... vivo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mais uma dose de você

Por que tardes sem você são tão iguais?
Não quero mais que meus momentos sejam banais.
Não quero só viver o anoitecer solitário,
E viajar como um louco missionário.

Fora da normalidade é que é vida sadia,
Poder sentir o gosto de cada dia.
E nascer pra você toda vez que o sol nascer,
sem morrer toda vez que ele se for.

Eu quero amor correndo nas veias,
Eu quero a paixão que encendeia,
O coração do sonhador.
Sonho por ti meu grande amor.

Eu posso estar longe e te tocar,
Eu posso te ouvir sem você falar.
E se eu não te vejo estou cego,
Mas estou certo que eu te encontrarei lá.

Coberta de saudade e voando com a liberdade,
E eu sedento de verdade, querendo te amar.
Na impagável imagem de você no ar.

domingo, 23 de agosto de 2009

Oque é TV?

"s.f. Transmissão à distância, por via elétrica, de imagens não permanentes de objetos fixos ou móveis. / Aparelho receptor dessas imagens. / Estação transmissora (tevê) de programas artísticos, culturais, informativos etc., por meio dessa técnica". - Dicionário Aurélio

Nos últimos dias vimos a televisão brasileira expondo a sua mais pura essência: a disputa comercial pelo controle político do povo.
Após as acusações de desvio das doações da Igreja Universal do Reino de Deus pelo Bispo Edir Macedo e sua cúpula de coordenadores que são sócios da Rede Record de Televisão, estorou uma guerra entre as duas maiores emissoras de TV do Brasil: Globo e Record.
A Globo apresenta evidências e levanta supeitas sobre a origem do dinheiro que é repassado a Record pela Igreja, já que estima-se que 90% da emissora seja do Bispo e os outros 10% de sua esposa. Realmente algo estranho.
Também relaciona o crescimento das empresas dele com as ofertas feitas a Igreja que em 8 anos somou assustadores 8 bilhões em ofertas do mundo inteiro. Acredita-se que todo esse dinheiro não é investido só na manutenção dos templos ou projetos da IURD, mas também em empresas de Edir Macedo, entre outras acusações.
Por outro lado, a Rede Record faz dossiês e mais dossiês sobre as irregularidades - já bem conhecidas e ainda impunes - da Rede Globo, que vão desde golpes em antigos sócios dados pelo já falecido Roberto Marinho até a invasão do terreno do Projac pela emissora. Também se fala de um golpe dado no BNDES nos anos 90, na oportunidade o fundo financiou o que hoje é a Globo Sat em troca de títulos da mesma. Alguns anos depois as ações desvalorizaram tanto que o BNDES teve que se desfazer delas deixando um rombo nos fundos do banco.
De parte a parte fez-se uma guerra na televisão brasileira e nós somos os expectadores e poucos veêm o que realmente há por trás disso tudo, dois grandes grupos empresarias disputando o controle da televisão brasileira, ditando tendências, valorizando o que não tem valor, alienando a população.
Depois de toda essa guerra ideológica nos perguntamos: o que mais há por vir? Em um país marcado pela corrupção política, um país de Renan Calheiros e José Sarney, a informação, que era nossa ultima arma, perde seu sentido de informar e passa a alienar nas tristes chamadas jornalísticas das suas emissoras de TV.
A liberdade de emprensa toma outro rumo, após a ditadura. Passamos anos lutando para falar, hoje nós ouvimos o que eles falam.

sábado, 22 de agosto de 2009

Após a mutação

O foco muda novamente:
Há alguma coisa em nosso caminho.
Nós já não sabemos
para onde ir,
mas continuamos indo.
Há terra em nossas calças
e lama em nossos sapatos,
São pedaços contando a história
de onde passamos,
Pois hoje caminhamos
no asfalto, descalços.
Daqui pra frente nunca mais
seremos os mesmos.
Não importa quem amamos
ou quem nos ama,
Nunca mais amaremos desse jeito.

Fotografias são mesmo
um rápido trasporte para o passado.
Mas os freios...
...não são tão bons,
Ficamos sempre enferrujados.

Não é crível?
Experimente então, explorar o mundo
que há fora do limite dos seus olhos.
Deixe para trás seus amores e desejos,
Deixe seus hábitos e seus medos.
Ao voltar para casa
ainda amará a mesma mulher,
Ainda poderá desejar ter um filho com ela,
Talvez ainda veja televisão aos domingos,
mas não temerá mais o desconhecido.
Você vai querer navegar por ele.
Ouvir o que a imortalidade tem a lhe dizer,
E então não viverá mais do mesmo.

São os homens que fazem a história.
São as histórias que fazem os homens.
Os próximos dias são páginas em branco,
e quando não há mais páginas
a terra nos come.

domingo, 16 de agosto de 2009

Eu

Eu não tenho rótulo,
não tenho marca,
não tenho escudo
nem espada.
Portanto,
não sou produto
ou propaganda,
também não sou guerreiro
nessa guerra,
não defendo quem me engana.
Não, eu não tenho
explicações a dar,
eu tenho muito a fazer
e quase nada a perder.
Eu sonho com o dia
em que todos
que estavam surdos
voltem a escutar,
em que quem estava
mudo nas garras da censura
volte a falar,
em que quem estava cego,
na escuridão da ignorância
volte a ver,
e então, quando acabar
eu poderei morrer
em paz,
sumir na terra e nunca mais
olhar para tráz
sem me ver,
Pois agora o passado vai me ter.
E esse será meu paraíso
sem portões, sem sorriso,
sem anjos, sem adeus.
Que me chamem de ateu
pois sei qual é minha posição
eu quero a verdade,
e o amor é minha religião.